Resenha: Crianças da Guerra - Viola Ardone

26 abril 2021

 

Edição: 1
Editora: Faro Editorial
ISBN: 6586041651
Ano: 2021
Páginas: 240
Tradutor: Mario Bresighelo
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    Livro cedido em parceria com a editora.
Sinopse: Em 1946, Amerigo, aos 6 anos de idade, parte num trem com centenas de outras crianças para viver por algum tempo com uma família do norte. Foi a forma que o governo encontrou para livrar os pequenos da miséria que assolou o sul depois dos efeitos catastróficos da Segunda Guerra Mundial.

Amerigo é pobre, mora em Nápoles com a mãe Antonietta. Ela, então, decide oferecer ao filho a oportunidade de uma vida melhor por um tempo: escola, comida, saúde.

Viola Ardone apresenta a história de um garoto enviado para um ambiente desconhecido, sem esconder nenhum aspecto dessa nova experiência, respeitando a dolorosa “duplicidade” da vida de Amerigo: a perda da mãe e a derrota da fome; as raízes cortadas e a nova serenidade; a indigna insegurança e a proteção “artificial” imposta, mas, ao mesmo tempo, providencial. Amerigo nos transporta para uma Itália que acaba de sair da guerra. Narrando a separação e também a descoberta de um mundo novo, cheio de oportunidades, ele se vê diante de dois horizontes e deseja fazer suas escolhas.

Oi pessoal! Hoje trago para vocês um pouquinho de toda a emoção que senti ao ler este livro.
Sempre que acontece uma guerra, os mais prejudicados são as crianças que tem seus sonhos interrompidos, passam fome e muitas vezes perdem seus pais. Após a segunda guerra, a miséria se abateu sobre o sul da Itália, fazendo com que famílias passassem fome, então algumas famílias aceitaram a ajuda do governo, enviando seus filhos para o norte, para que  vivessem  com outras famílias por alguns meses. 
Entre essas crianças estava Amerigo, um garoto de seis anos que vivia com mãe Antonietta, em Nápoles. Amerigo era um garoto muito esperto e feliz, apesar de todo sofrimento que vivia. Mas a decisão de enviá-lo  no trem foi a unica saída que a mãe encontrou de salvar seu filho. Muitas histórias eram contadas a respeito do trem, onde diziam que as crianças seriam enviadas para a Russia para serem comidas, que teriam pernas e pés cortados entre outros absurdos.
"Só tenho a minha mãe e não quero ser trocado por um outro, por isso me agarro à sua bolsa e digo que, afinal de contas, não preciso de sapatos novos e que, por mim, podemos voltar para casa. No entanto, ela não  me escuta ou não quer me escutar."
O medo e o desespero tomou conta das crianças ao entrarem no trem, o desespero de serem enviadas ao desconhecidos e nunca mais encontrarem suas famílias. Mas ao chegar ao norte, cada criança foi recebida por uma familia que lhes deram roupas e sapatos novos, alimentação e educação.
Amerigo vai para a casa de Derna que é membro do partido e aceita ficar com ele ao perceber que ficou por último no trem. 
Aos poucos eles vão se adaptando, Amerigo a nova vida e Derna com a ideia de criar uma criança. Eles contam com a ajuda da família de Derna, que recebe Amerigo como um filho. Com o tempo duvidas e culpa surgem na cabeça do garoto, ele se sente culpado por não sentir mais falta de sua mãe e por estar gostando da nova vida, e quando volta para sua mãe, ele não consegue se adaptar a sua antiga vida. 
"E pela primeira vez, depois de tanto tempo, a gente se encontra sozinho de novo, eu e você. No começo, tentei rezar, mas depois entendi que não era caso de improvisar. Tentei falar com você, parecia que eu tinha algo importante para dizer, mas nada me vinha a cabeça. Desperdicei tanta raiva que acabei esquecendo o motivo dela."  
Foi difícil acompanhar a saga de Amerigo, imaginar a dor de deixar a mãe para ter uma chance de sobreviver, ao mesmo tempo pensar pelo lado da mãe que só via no trem a chance do filho sobreviver, e apesar de toda dureza que Antonietta trazia em si, imagino que a dor de ver um filho partir deva ser horrível.
O livro é dividido em quatro partes entre a infância difícil de Amerigo, sua nova vida, o retorno a vida antiga e sua vida após adulto. Em alguns momentos discordei de atitudes de Amérigo na sua vida adulta, mas como tudo o que passamos na vida nos transforma, percebo que ele tinha suas razões, pois o sofrimento muda as pessoas, como fez com sua mãe e com vários outros de seus antigos vizinhos.
É difícil criticar, sem se colocar na posição de quem sofre, e ao ler este livro devemos nos colocar no lugar de Amérigo e de sua mãe, pois acabamos vendo o lado dele por ser criança, mas esquecemos que sua mãe também foi vitima dessa guerra tão cruel. 
A autora conseguiu, com personagens bem construídos, trazer para o leitor emoção e aflorar algo tão difícil nos dias de hoje, a compaixão.
A edição está perfeita, logo na capa nos deparamos como olhar inocente de uma criança, mesma inocência que encontramos durante a história.











Sobre a autora:


Viola Ardone nasceu em Nápoles, em 1974. Trabalhou em edição escolar e é atualmente professora de Italiano e Latim no ensino secundário. Publicou dois romances, La ricetta del cuore in subbuglio (2012) e Una rivoluzione sentimentale (2016). Escreveu ainda uma história em verso, Cyrano dal naso strano (Editora Albe 2017), com ilustrações de Luca Dalisi. No âmbito do workshop de escrita do Instituto Penal para Menores, contribuiu para as antologias de contos La grammatica di Nisida (2013), Parole come pane (2014), Fuori (2015), Le parole felici (2016), La Carta e la vita (2017) e para o romance L’ultima prova (2018), pelo coletivo I Nisidiani.

Um comentário:

  1. Before we get too deep in the weeds with the watch itself, it’s worth sharing that Tej Chauhan might be someone of an outsider in the watch space, but his path to international design acclaim started at Nokia, before starting his eponymous design firm whose clients include Panasonic,fake rolex kaufen Ikea, Samsung, British Airways, and many more. Much of his work — and the work of his firm — seems to take inspiration from mid-century pop culture and old science fiction films. That sort of aesthetic already works extremely well with the vintage TV-shaped dial and gently rounded case design of the True Square, which presents itself as an ideal canvas for a designer like Chauhan.

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