Resenha: O Bebê de Rosemary - Ira Levin

06 fevereiro 2020

Edição: 1
Editora: Nova Cultural
ISBN: 8520435726
Ano: 1967
Páginas: 173
Tradutor: Cléo Marcondes

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Sinopse: Rosemary, uma jovem recém casada com Guy Woodhouse, procura com o marido uma casa para começarem a sua vida de casal. Um dia, encontram o apartamento dos seus sonhos e depressa mudam-se para lá. Numa questão de tempo o casal instala-se, Guy avança com a sua carreira de ator e Rosemary engravida como eles desejavam.
Porém as coisas mudam quando o casal de vizinhos idosos começa a intrometer-se estranhamente na sua vida e a dar sugestões sobre a gravidez da jovem. Pouco a pouco Rosemary perde o controle da situação e quando se tenta soltar já é tarde demais: ela e o seu filho são vítimas de um culto ao diabo que tenciona fazer daquela criança o filho das trevas.


Primeiro livro que debatemos no Piquenique Literário desse ano... Claro que teria que ser algo impactante, neh?
O Bebê de Rosemary foi uma surpresa sem tamanho. Já havia assistido o filme e a mini série, mas isso tem muito tempo, então, ler o livro foi como um recomeço: eu já quase não me lembrava do enredo, o que foi maravilhoso e me prendeu do início ao fim.

Rosemary acaba de se casar e de conseguir o apartamento dos seus sonhos: O Edifício Bramford é o lugar ideal para o jovem casal; Guy, marido de Rosemary é um ator em ascensão, morar neste edifício será perfeito!
Rosemary mantém distância de sua família extremamente católica, assim vê em Hutch um amigo e quase um pai. Assim que Hutch fica sabendo que o casal irá morar no Bramford, Hutch conta-lhes os detalhes sórdidos de alguns inquilinos que moraram por lá. Agnóstico de carteirinha, Guy não lhe dá ouvidos, e Rosemary segue a incredulidade do marido.
"Estava usando uma espécie de armadura de couro áspero, pois era uma festa a fantasia. Brutal e ritmicamente ele a possuiu. Rosemary entreabriu os olhos e fitou os olhos ardentes, amarelos e brilhantes como carvão em brasa, sentindo nos lábios um hálito úmido e fétido, um cheiro de enxofre e tannis. Ouviu grunhidos de gozo e a respiração ofegante dos espectadores."
Logo após mudarem-se, uma morte ocorre no Bramford, o que acaba aproximando do jovem casal, seus vizinhos: Roman e Minnie Castevet. A princípio, Guy e Rosemary pretendem evitar ao máximo a convivência com eles, mas Guy se apega a Roman de uma maneira peculiar e, depois disso, as coisas só pioram.

Como eu adorei devorar esse livro! Por ser um livro relativamente velho, achei que teria problemas com a leitura, mas nada que eu fale pode descrever a escrita deliciosa desse autor.
Os personagens também não deixam a desejar: Rosemary, inocente no começo, mas cheia de determinação e sagacidade conforme a história vai se desenrolando; Guy, ótimo ator mesmo! Eu cheguei a duvidar dele em vários momentos, mas sua atuação na história sempre me dizia o contrário!
Os Castevet tbm são ótimos personagens, odiei eles desde o começo, mas adorei conhecê-los!
"Não sabia as respostas.
Não sabia se estava ficando louca ou se estava vendo a realidade tal como era. Não sabia se as bruxas, tinham apenas sede de poder ou se tinham de fato poderes sobrenaturais. Não sabia se Guy era seu marido carinhoso ou feroz inimigo. Dela e da criança."
O bebê de Rosemary foi lançado em 1967 em meio a um turbilhão apocalíptico (Para saber mais, procure dados sobre a época). Partindo da ideia assustadora da busca de uma “barriga” para conceber o anticristo, o autor arquiteta um enredo magnetizante, para ser lido rapidamente.
Como citei, a escrita do autor me surpreendeu muito: sucinta e fluída, sem espaço para muitos detalhes. Ele vai direto ao ponto sem rodeios. A narrativa é em terceira pessoa, acompanhando somente o ponto de vista de Rosemary. Acredito que, mesmo tendo amado o livro, se o autor tivesse aberto mais o enredo w nos contado sobre o plano dos Castevet pelo ponto de vista deles, seria mais impactante. Outra coisa que gostei muito, é a relação com a religiosidade: Rosemary vem de uma família católica, mas que cortou contato com a família e se casou com um homem protestante que é filho de uma mulher divorciada, o que não era normal naquele tempo.
O final foi inesperado para mim, até procurei para ver se tinha mais páginas, mas depois de pensar muito sobre, acredito que tenha sido um final peculiar, mas digno da obra.
Li em e-book, então não tenho muito o que ressaltar. Só posso indicar a leitura para quem gosta do gênero!


Sobre o autor:






Foi um escritor, dramaturgo e autor de letras de canções americano. A sua obra mais conhecida é o romance 'Rosemary's Baby', que foi adaptado ao cinema por Roman Polanski (com o título em língua portuguesa de 'O Bebê de Rosemary').



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