Resenha: Feitos de Sol - Vinicius Grossos

30 janeiro 2020

Edição: 1
Editora: Faro Editorial
ISBN: 9788595810808
Ano: 2019
Páginas: 256
Compre AQUI.

Livro cedido em parceria com a editora
Sinopse: E se você soubesse que o mundo está prestes a acabar, qual seria o último momento que você gostaria de guardar para sempre? E se fosse sua última chance de seguir seu coração e descobrir um mundo novo de possibilidades? E se você encontrasse o verdadeiro amor prestes a enfrentar o bug do Milênio?
Essas eram algumas das dúvidas que Cícero tinha em mente, no auge de seus 15 anos e prestes a vivenciar a virada dos anos 2000. Mas tudo isso mudou no instante em que Vicente atravessou o seu caminho e colocou tudo de pernas para o ar.
A Faro Editorial lança em julho “Feitos de Sol”, o novo romance de Vinicius Grossos, um dos mais amados autores nacionais de YA. Vinícius incluiu nesta obra cenas que ele próprio viveu: a luta por aceitação em um lar religioso e o medo do fim do mundo.
Neste romance, vamos acompanhar os planos finais de dois meninos que viram suas vidas se entrelaçarem quando um grande desastre estava prestes a acontecer. Vicente, um jovem reprimido por uma família extremamente religiosa e conservadora. Cícero, um garoto criado apenas pela mãe com muito carinho, mas com enormes dúvidas quanto ao seu papel no mundo.
Unidos pelo destino em busca da última edição de uma revista da qual eram fãs, Vicente e Cícero vão descobrir o valor da amizade e do primeiro amor, o peso do ódio e do preconceito, e meio a momentos inesquecíveis em uma das décadas mais fantásticas: os anos 90. Um a história delicada e divertida sobre o primeiro amor e suas consequências.

Ler esse livro me trouxe a sensação estranha de ler o diário de alguém, - não que já tenha feito isso... rs- não pela linguagem, mas algo nele faz isso.
O livro começa com Cicero voltando para a cidade em que morava em 1999 (20 anos antes) e recordando os últimos meses desse ano, quando era um adolescente de 15 anos, típico garoto nerd dessa idade, com seus jogos de RPG, uma amizade interessante/colorida com a Karol, que é uma personagem linda, forte, decidida e que é fiel aos seus sentimentos em relação a tudo. As partes com ela são as mais engraçadas e cheias incentivos.
“Não muda o que você sente ou pensa por minha causa, nem de ninguém. Eu tenho que fazer isso o tempo todo, e é um saco! (...) A gente pode até começar a gostar daquilo que os outros indicam, mas mudar o que a gente é ou quer, ai não dá. Escuta o que eu estou dizendo.”
Ele tem sua rotina abalada, quando a única loja da cidade que vende a revista do seu herói favorito fecha, mas é nesse momento que ele conhece Vicente, outro fã de Under Hero.
E entre uma brincadeira e outra começam a ver afinidades e o início de uma amizade, ambos acreditam que o mundo iria acabar em 1999: Cicero, acredita que, por causa do Bug do Milênio, misseis iam ser disparados e Vicente que seria o retorno de Jesus para o arrebatamento.
Eu era adolescente nessa época tbm e assistia muito filme de terror, e 1999 tinha o número da Besta, eu achava que o inferno ia chegar na terra... E olha que nem cristã eu sou.
"Todos nós somos represas. A gente vai aguentando até onde pode, mas, em algum momento, a gente transborda, coloca tudo pra fora e deixa a destruição acontecer.”
E através da busca pela última revista de Under Hero que Cicero e Vicente vivem as aventuras dessa fase, e começam a perceber tantas coisas, principalmente como lidar com a descoberta da sua identidade e sexualidade em uma época mais preconceituosa que agora.
Devo confessar que em alguns (muitos momentos) eu tive vontade de entrar no livro e esfregar a cara do Cicero no asfalto. Mas ai a gente lembra que já foi adolescente e que uma fase intensa e bem dramática.
O Vicente é um lindo, tem uma sensibilidade e uma visão mais suave sobre tudo, que por ser filho de pastor sofre o preconceito na forma mais dura, das pessoas que deveriam amá-lo. Ele tem uma avó D. Emir que é incrível e que sempre o aceitou. Além de ser uma figura, cada situação divertida com ela.
“Procure sempre uma coisa que te faça se sentir invencível, poderoso, e a proteja a todo custo. Aí, quando estiver triste ou achar que o mundo te derrotou, faça como eu. Coloque o seu Queen para tocar e saia para dominar o mundo. Nunca se esqueça disso.”
Fora as referências de músicas e artistas, eu bem era fã do Backstreet Boys!!!
Concluindo, o livro trata de assuntos como preconceitos, seja religioso ou não, descobertas e aceitação. É intenso e faz a gente pensar, que pode parecer que a sociedade não mudou nada, mas existe muito mais pessoas com o coração aberto e sem julgamentos que em 1999 (ou já existiam mas não tinham voz). E que a gente aprenda com livros assim, a ter empatia pelas experiências dos outros, ninguém nunca sabe a dor que o outro carrega, independente do motivo.
A Faro editorial está de parabéns como sempre por suas capas e detalhes, a capa é bem feita e com relevo, com orelha e detalhes na contracapa, divisor de capitulo simples e boa diagramação, torna a leitura confortável.






Sobre o autor: 




Vinícius nasceu no estado do Rio de Janeiro e quando pequeno, tinha o sonho de trabalhar em uma livraria apenas para poder ler tudo o que fosse possível. Aos sete anos, escreveu e ilustrou seu primeiro livrinho e desde então não parou mais. Já participou de algumas antologias e concursos audiovisuais, sendo Sereia Negra seu primeiro livro publicado.





Um comentário:

  1. Que livro lindo, só de me falar que tem uma ou outra passagem que aparece o preconceito já me interessei. E esse escritor parece que escreve muito bem. Deve ser uma história incrível por se passar tantos anos atrás.
    Jardim de Palavras

    ResponderExcluir