Resenha: As Duas Trindades - Diego Binotto

01 outubro 2018


Edição: 1
Editora: Viseu
ISBN: 9788554540852
Ano: 2017
Páginas: 250

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Livro cedido pelo autor para resenha
Sinopse: Uma história com muita violência, gore, sexo, ambientada em uma megalópole devastada por um ataque nuclear decorrente de uma guerra mundial e atingida por um incidente inexplicado de zumbificação. Nela uma trindade formada por um General, um cientista e um padre/bispo arroga para si o controle de toda sociedade, instaurando uma ditadura. Para combatê-los, surge um pequeno grupo de artistas e intelectuais dissidentes, que luta por sua própria liberdade, liderados por uma mulher, filha bastarda do padre, um ex contador que perdeu sua mulher e filha e busca vingança e um artista misterioso e amnésico que guarda um grande segredo.


Quem me conhece sabe o quanto amo o gênero distópico. A ideia de termos nosso mundo devastado e passar a viver outro tipo de realidade, ao mesmo tempo me assusta e fascina. Por esse motivo, aceitei imediatamente a oferta do autor Diego Binotto para ler e resenhar seu livro de estréia e, conversando com o mesmo pelas redes sociais, descobri que o livro tinha muitos fatores para me fazer ter uma leitura prazerosa. Pois bem, venho agora contar para vocês o que achei da obra como um todo:
"Enfim posso considerar-me o salvador da humanidade, até porque depois de sucessivas perdas ela inapelavelmente há de se emendar, aprender com os erros passados, ser mais honesta e legítima em seu propósito de evolução. Uma nova e melhorada espécie há de surgir do caos, e reinar triunfantemente sobre os resquícios de seus predecessores corruptos e degenerados.”
A sinopse traz um ótimo conceito do que vamos encontrar nessa obra: um mundo devastado por um ataque nuclear que é regido por uma das trindades - Exército, Ciência e Religião. Esses três conceitos juntos, criam uma ditadura implacável. A população é subjugada e, para bater de frente com esse trio, surge a segunda trindade, composta por artista e intelectuais dissidentes, que é liderado por Louise, uma mulher forte e destemida, com personalidade marcante; por um ex-contador e por um artista misterioso. Personagens bem construídos e carismáticos a sua maneira, nos cativam e mostram ao leitor o que querem e porque querem.

Apesar os personagens cativantes e do enredo ser promissor, minha leitura foi arrastada e cansativa. O autor peca no excesso de palavras difíceis. Por diversos momentos, tive que parar a leitura para entender a fundo o que acabei de ler, e em outros momentos, procurar  o significado de palavras mais rebuscadas que não encontramos com facilidade em livros do gênero, principalmente se o livro for nacional.
Por outro lado, entendi esse jogada do autor - ao mesmo tempo, ele tenta nos mostrar como a Revolução Cultural imposta afetou os menos favorecidos no decorrer da história.
"- Em que está pensando?
- Tento lembrar.
- Do que?
- Algo que não deveria ter esquecido. Algo que define quem sou. Não apenas um nome, pois um nome é, por natureza, uma simples adjetivação, e nada mais. É um acréscimo, algo que se agrega ao que já se tem. E o que me falta é justamente isso, o que me faz ser eu mesmo, e que vai mais além e mais profundamente do que as meras convenções sociais."
As Duas Trindades transborda filosofia, é clara a influência de grandes filósofos na obra. Como não sou conhecedora do assunto, me baseio pelos livros do gênero que li, somente assim pude dar continuidade a leitura. O autor nos passa em uma ficção o que pode acontecer quando ciência, religião e exército se unem - acredito que esse tenha sido um ótimo momento para minha leitura, com as eleições se aproximando, devemos pensar com clareza, fanatismo nunca ajudou ninguém.

A capa é linda e nos faz ter várias percepções enquanto lemos; a diagramação é simples, mas bem feita, possui alguns erros de revisão perceptíveis e letras em tamanho confortável para a leitura. Essa edição possui orelhas e folhas brancas.
Do mais, indico sim a leitura. Entretanto, acredito que este livro será melhor entendido para quem realmente aprecia o gênero ou estuda filosofia. Nós, leitores mais contemporâneos, podemos encontrar dificuldade na leitura por sua narrativa rebuscada, mas não deixa de ser um livro bom, pois aborda temas sempre presentes, como o amor, a arte, a liberdade, a busca pela identidade, entre outros.




Sobre o autor:



Diego Binotto natural de Ronda Alta, RS, nascido em 15 de janeiro de 1985, atualmente residente em Chapecó SC, é professor de Filosofia em duas escolas estaduais, formado na referida disciplina pela Universidade Comunitária Regional de Chapecó, UNOCHAPECÓ, no ano de 2008, com pós graduação em Literaturas do Conesul pela Universidade Federal da Fronteira Sul, UFFS. Leitor inveterado, adquiriu o hábito de ler com hqs, gosto que se mantém até hoje, mas, gradativamente, foi mudando suas preferências, passando a admirar o trabalho de grandes mestres, tais como Kafka, Camus, Sartre, Dostoieviski, conhecendo e se apaixonando pelos escritos de Ernesto Sábato, romancista argentino, durante sua pós.