Resenha: Toda Sua - Sylvia Day

08 fevereiro 2018

Edição: 1
Editora: Paralela
ISBN: 9788565530118
Autor: Sylvia Day
Serie: Crossfire
Titulo original: Bared To You
Ano: 2012
Páginas: 280
Tradutor: Alexandre Boide

Sinopse:
Eva Tramell tem 24 anos e acaba de conseguir um emprego em uma das maiores agências de publicidade dos Estados Unidos. Tudo parece correr de acordo com o plano, até que ela conhece o jovem bilionário Gideon Cross, o homem mais sexy que ela - e provavelmente qualquer outra pessoa - já viu. Gideon imediatamente se interessa por Eva, que faz tudo o que pode para resistir à tentação. Mas ele é lindo, forte, rico, bem-sucedido, poderoso e sempre consegue o que quer - Eva acaba se entregando.
Uma relação intensa começa. O sexo é considerado por eles como incrível. Capaz de levar os dois a extremos a que jamais tinham chegado. E, então, eles se apaixonam - o que pode ser tanto a chave para um futuro feliz quanto a faísca que trará de volta os traumas do passado.

Resenha:

Como vocês bem sabem, quando começo uma resenha primeiramente eu faço uma introdução, um pequeno resumo da trama para ambientar os leitores sobre o que esperar da obra, antes de dar a minha opinião e avaliação. Mas, com “Toda Sua” isso é um problema, pois o livro não tem uma trama propriamente dita.
Eva Tramell é uma mulher independente e decidida que luta por seus interesses e desejo. Ela acaba de mudar-se para o Estados Unidos depois de se formar na faculdade, para trabalhar em uma das maiores empresas de publicidade, a Crossfire. E é lá que ela conhece Gideon Cross, o dono da empresa, um cara multimilionário e reconhecido no ramo, mas que também é conhecido por suas conquistas e as varias beldades com quem desfila nas festas da alta sociedade. Eva fica perdidamente e desesperadamente atraída por ele logo que se conhecem, que por motivos obscuros, não quer se envolver com ela. Gideon procura somente transas de uma noite e nada mais alem disso.

Reconhecem o padrão né? Se eu retirasse os nomes e perguntasse para vocês de qual livro eu estava falando, tenho certeza que vocês conseguiriam me citar vaaaarios, não é mesmo?
A falta de originalidade da obra é clara, pois outro ponto que nos remete a vários outros livros eróticos é o trauma psicológico.
"Havia um tom sugestivo em sua voz que me fez estremecer. Eu conseguia sentir o calor de seu corpo largo e rígido e o aroma masculino de sua pele. A cada minuto que passava, eu me deixava levar mais por seu charme."
Em geral o livro se resume a sexo, chega a ser risível. O tesão eterno de Gideon e Eva chega a ser algo assustador. Sem contar que as cenas de sexo possuem dois extremos: ou eles usam um palavreado chulo, saindo da linha do erótico e entrando no pornográfico, ou algo extremamente rebuscado  que torna a situação irreal – ainda mais irreal do que Eva gozando quatro, cinco vezes por transa.
Eu fico me perguntando se esse problema é na tradução ou na escrita da autora mesmo, que torna as cenas de sexo totalmente descabidas e humanamente impossíveis.
Os livros eróticos tem essa função mesmo, de mexer com a libido – principalmente das mulheres - , mas sendo o sexo um tema tabu da sociedade, acho muito errado criar um esteriótipo de transa perfeita. Eu acredito que muitas mulheres se sintam frustradas ao ler um livro deste tipo, afinal, a maioria tem dificuldade em chegar ao orgasmo uma única vez, que dirá quatro ou cinco.

A personagem Eva é inicialmente uma promessa para a quebra de esteriótipos das personagens femininas do gênero. Ela começa bem decidida, batalhadora e, acima de tudo, não é a mocinha virgem e ingênua. Muito pelo contrario.  Mas então ela bate os olhos em Gideon e  para de usar o cérebro e começa a pensar com a “ppk” e tudo volta ao normal, com só mais do mesmo.
Gideon também é o esteriótipo do anti-herói de romance erótico, o CEO milionário, maníaco por controle e totalmente perturbado.
(...) "— Você está dormindo com alguém Eva?— Por que está me perguntando isso? (...)— Porque eu quero comer você. Então preciso saber se existe alguém atrapalhando meus planos." (...)
Gente, não em entendam mal, o livro não é uma desgraça só. É uma leitura bem rápida e objetiva, mas incomoda o fato de todos os personagens não conseguirem manter um dialogo minimamente coerente sem envolver sexo.  Eles são, sem exceções, rasos e sem conteúdo, apesar da autora tentar introduzir traumas emocionais na vida da maioria. A trama também é pobre de conteúdo e extremamente repetitiva. É sexo, sexo e sexo, nada alem disso.

Enfim, essa é a minha opinião sobre essa “obra”. De todos os livros do gênero que já li – e não foram poucos -, esse, com toda a certeza do mundo, é o pior deles.
Eu já ouvi comentários de leitores que afirmam que os próximos volumes possuem mais conteúdo, mas não sei se estou disposta a pagar para ver (literalmente).

Sobre o autor:


Nasceu em 1973, em Los Angeles. Publicou romances dos mais variados gêneros, muitos dos quais entraram para a lista de mais vendidos do New York Times, com três pseudônimos diferentes. Mãe de dois filhos, trabalhou como tradutora do russo para o serviço de inteligência do Exército dos Estados Unidos.