Resenha: Sob a Redoma - Stephen King

05 fevereiro 2018


Edição: 1
Editora: Suma de Letras
ISBN: 9788581051130
Ano: 2012
Páginas: 960
Tradutor: Maria Beatriz de Medina

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Sinopse: Na trama, em um dia como outro qualquer em Chester’s Mill, no Maine, a pequena cidade é subitamente isolada do resto do mundo por um campo de força invisível. Aviões explodem quando tentam atravessá-lo e pessoas trabalhando em cidades vizinhas são separadas de suas famílias. Ninguém consegue entender o que é esta barreira, de onde ela veio e quando — ou se — ela irá desaparecer.
Os moradores de Chester’s Mill percebem que terão de lutar por sua sobrevivência. Pessoas morrem, aparelhos eletrônicos entram em pane ao se aproximar da redoma e a situação fica ainda mais grave quando a cidade se vê exposta às graves consequências ecológicas da barreira. Para piorar a situação, James “Big Jim” Rennie, político dissimulado e um dos três membros do conselho executivo da cidade, usa a redoma como um meio de dominar a cidade.
Enquanto isso, o veterano da guerra do Iraque, Dale Barbara, é reincorporado ao serviço militar e promovido à posição de coronel. Big Jim, insatisfeito com a perda de autoridade que tal manobra poderia significar, encoraja um sentimento local de pânico para aumentar seu poder de influência. O veterano se une a um grupo de moradores para manter a situação sob controle e impedir que o caos se instaure. Junto a ele estão a proprietária do jornal local, uma enfermeira, uma vereadora e três crianças destemidas.
No entanto, Big Jim está disposto até a matar para continuar no poder, apoiado por seu filho, que guarda a sete chaves um segredo. Mas os efeitos da redoma e das manobras políticas de Jim Rennie não são as únicas preocupações dos habitantes. O isolamento expõe os medos e as ambições de cada um, até os sentimentos mais reprimidos. Assim, enquanto correm contra o pouco tempo que têm para descobrir a origem da redoma e uma forma de desfazê-la, ainda terão de combater a crueldade humana em sua forma mais primitiva.


“Sob a Redoma, todo tipo de coisa é possível”.
Assim que Sob a Redoma foi publicado, eu quis muito lê-lo, como tudo que King escreve, claro. Mas acabei me encantando pela série de TV que leva o mesmo nome e que foi baseada nessa obra. Assim, acompanhei as 3 temporadas da série que, confesso, não entendi porcaria nenhuma no final.

O que não aconteceu com o livro: Quem conhece a escrita do autor, sabe que o mesmo é prolixo e descritivo. Sua narrativa é um tanto arrastada mas que prende o leitor por sempre mostrar o pior e o melhor do ser humano em suas histórias. King não tem medo de ser taxado de sociopata; ele escreve o que ele vê e acredita. Em Sob a Redoma não foi diferente. Conhecemos personagens amáveis e odiáveis. Encontramos sangue e terror em uma ficção que poderia muito bem, ser verdadeira.
“[...] Mas talvez o levasse a refletir (pois, a seu modo, ele era um homem reflexivo) sobre a semelhança entre assassinato e Elma Chips: é impossível parar num só.”
Não vou me prolongar no resumo da história, pois a sinopse explica bem o que encontraremos nesse livro. Mas devo acrescentar que, se você acompanhou a série de TV como eu, tente esquecer todos os personagens que você conheceu lá. Os personagens do livro levam  mesmo nome, mas são bem diferentes tanto fisicamente quanto psicologicamente.
Acredito que, em todos os livros do autor, o ponto principal seja mesmo a reação humana diante do desconhecido. Mesmo que este livro dê a impressão de que o foco é a redoma, são os personagens que ganham destaque: conhecemos cada um profundamente e vemos como estar diante de algo assustador e desconhecido transforma as pessoas.

A redoma também causa questionamentos no leitor, claro que queremos saber de onde veio e o porque, mas vamos descobrindo tudo pouco a pouco, junto com os personagens e a conclusão me causou espanto. Sim, gostei de como o autor levou a história e concluiu com um final acreditável, as em se tratando de King, eu esperava bem mais.
“Arrependimento pelo erro era melhor do que nada, supôs Barbie, mas nenhuma tristeza depois do fato poderia reparar a alegria sentida na destruição, fosse esta queimar formigas ou atirar em prisioneiros.”
Em contrapartida, os personagens não decepcionam, desde as crianças que são poucas até os políticos mais desgraçados que você possa imaginar. Big Jim Rennie me cousou ódio na série de TV sim, mas aqui no livro meu ódio foi maior. Motivo? O cara é um político corrupto, mentiroso, assassino, ganancioso e diversas coisas mais, mas sempre tem a palavra de Deus na boca e a usa para se eleger o melhor para Chester's Mill. Suas atitudes são desprezíveis e acreditem: reais. Eu consigo imaginar gente com o poder dele agindo igual em qualquer parte do mundo.
Dale Barbara, o oposto de Big Jim, foi meio que uma decepção. Fiquei com a impressão que sozinho, ele não conseguiria fazer nada. Mas seus preceitos e atitudes são relevantes para a trama e nos fazem gostar dele imediatamente.

Como um todo, posso dizer que a obra me ganhou. Mesmo com as poucas ressalvas, indico sim a leitura. King consegue entreter e ensinar com suas histórias e sua mente obscura. O que eu amo demais! rsrsrsrs
A edição está muito bonita, com letras em tamanho confortável para leitura e bom espaçamento. A narrativa é em terceira pessoa e acompanha todos os personagens principais para a trama, o que eu gostei muito, assim podemos conhecer mais a fundo cada personagem.
Eu amo essa capa. Ela é perfeita e condiz exatamente com a descrição da redoma em volta de Chester's Mill. Acredito que seja uma das mais bonitas de todos os livros que tenho.
"É claro que se não houvesse céu, a pergunta era irrelevante. E a ideia dessa existência sem céu, dessa cosmologia sem céu, era onde o que restava da sua fé parecia cada vez mais à vontade. Talvez o esquecimento; talvez algo pior. Digamos, uma imensa planície vazia sob o céu branco; um lugar onde a hora era sempre tempo algum, o destino, lugar nenhum, e os companheiros, ninguém. Em outras palavras, só um grande Não-Está: para os maus policiais, as mulheres que pregavam, as crianças que se matavam por acidente e os pastores-alemães idiotas que morriam tentando proteger as donas. Nenhum Ser a separar o joio do trigo. Havia algo histriônico (para não dizer blasfemo) em rezar para um conceito desses, mas à vezes ajudava."
Do mais, não deixe de se aventurar por essas páginas. Se ficar enfadonho, não desista! A recompensa sempre vem, afinal, estamos falando de um livro do Mestre, neh? <3


Sobre o autor: 



Stephen King era um leitor fanático dos quadrinhos EC's horror comics incluindo Tales from the crypt, que estimulou seu amor pelo terror. Na escola, ele escrevia histórias baseadas nos filmes que assistia e as copiava com a ajuda de seu irmão David. King as vendia aos amigos, mas seus professores desaprovaram e o forçaram a parar.
De 1966 a 1971, Stephen estudou Inglês na Universidade do Maine em Orono, onde ele escrevia uma coluna intitulada "King's Garbage Truck" para o jornal estudantil, o Maine Campus. Ele conheceu Tabitha Spruce lá e se casaram em 1971. O período que passou no campus influenciou muito em suas histórias, e os trabalhos que ele aceitava para poder pagar pelos seus estudos inspiraram histórias como "The Mangler" e o romance "Roadwork" (como Richard Bachman).