Resenha: A Melodia Feroz - Victoria Schwab

14 fevereiro 2018

Edição: 1
Editora: Seguinte
ISBN: 9788555340413
Autor: Victoria Schwab
Serie: Monstros da Violência – Volume 1
Titulo original: This Savage Song
Ano: 2017
Páginas: 384
Tradutor: Guilherme Miranda

Sinopse:
Kate Harker e August Flynn vivem em lados opostos de uma cidade dividida entre Norte e Sul, onde a violência começou a gerar monstros de verdade. Eles são filhos dos líderes desses territórios inimigos e seus objetivos não poderiam ser mais diferentes. Kate sonha em ser tão cruel e impiedosa quanto o pai, que deixa os monstros livres e vende proteção aos humanos. August também quer ser como seu pai: um homem bondoso que defende os inocentes. O problema é que ele é um dos monstros, capaz de roubar a alma das vítimas com apenas uma nota musical. Quando Kate volta à cidade depois de um longo período, August recebe a missão de ficar de olho nela, disfarçado de um garoto comum. Não vai ser fácil para ele esconder sua verdadeira identidade, ainda mais quando uma revolução entre os monstros está prestes a eclodir, obrigando os dois a se unir para conseguir sobreviver.
Resenha:

Eu conheci a escrita de Victoria Schwab quando li “A Bruxa de Near”, um livro bem mediano e com pouco conteúdo apesar da premissa bastante interessante de entrar no mundo das bruxas. Então, quando ouvi sobre o lançamento da serie “Monstros da Violencia” que iria ser publicado pela editora Seguinte, inicialmente fiquei com um pé atrás, considerando a minha ultima/primeira experiencia com a autora, mas como a capa de “A Melodia Feroz” é tão linda e instigante, foi impossível resistir.
“Os corsais pareciam surgir de atos violentos, mas não letais, enquanto os malchais se originavam de homicídios. Os sunais, pelo que diziam, vinham dos crimes mais sombrios de todos: bombardeios, tiroteios, massacres, eventos que não tiravam apenas uma, mas muitas vidas. Toda a dor e a morte se juntando em algo verdadeiramente terrível. Se o catalisador de um monstro era um indício de sua natureza, então os sunais eram os piores seres para se encontrar no meio da noite.”
“A Melodia Feroz” é narrado em terceira pessoa e altera o ponto de vista entre August e Kate.
A trama se passa em um mundo distópico, onde a partir de atos violentos monstros tomam forma. Então, com a violência humana tão latente e essas criaturas sendo geradas a cada ato de maldade, o equilíbrio entre o bem e o mal acabou e o mundo sucumbiu ao caos completo.
Alem dos humanos, aterrorizados por um mundo de caos criados por eles mesmos, a terra é habitada por três tipos diferente de monstros da violência:
Os Corsais, que vivem no subterrâneo da cidade e se alimentam de carne humana  e são gerados a partir de qualquer ato de violência.
Já os Malchais são uma espécie de vampiros, que sugam o sangue de suas vitimas ate a morte e vivem nas sombras, a espreita do primeiro desavisado. Eles surgem de homicídios.
E também existe os Sunais, o tipo mais raro de mostro, que surgem de atos de extrema violência, como massacres e tiroteios, onde ocorrem varias mortes ao mesmo tempo.
Acredita-se que cada monstro vem para o mundo com a essência do ato que o criou. Ou seja, os Sunais alem de raros, são os mais temidos, tanto pelos meios que levam aos seus “nascimentos” , quanto pelo forma como se alimentam, usando a musica como instrumento para sugar a alma das pessoas que já cometeram algum tipo de maldade.

Essa guerra entre humanos e monstros - e humano contra humano - gerou um descontrole geral, onde pânico e medo imperam, levando a dois extremos se erguerem como poder e controle no meio do caos, dividindo tudo entre norte e sul.
Ao norte está Callum Harker, pai de Kate Harker, e um homem extremamente cruel que controla com mãos de ferro os Corsais e os Malchais, que lhe servem e respeitam as suas vontades, permitindo que Harker  cobre dos humanos valores absurdos para estarem sob a sua proteção e não serem atacados pelos monstros que ele controla. Os que não pagam ou que não tem como pagar, acabam servindo de comida para monstros.

Já no Sul está Henry Flynn, um homem pacifista que acredita que o mal deve ser eliminado e não controlado,  e que mantem todos os que vivem ao seu lado em segurança, sem distinção. Junto com ele estão os Sunais, os únicos três dos quais se sabe da existência: Leo, Ilsa e August.
Henry trata os Sunais como membros da família, já que no geral, eles aparentam ser seres humanos comuns, sem nada de excepcional, a não ser pelo fato de que se alimentam da alma de pecadores.

Entre esses dois homens poderosos existe uma trégua, onde um não pode invadir o território do outro.  Mas então, quando essa paz começa a ser abalada, uma oportunidade surge: A única filha de Harker – Kate Harker – volta para o lado do pai. E quem melhor para observar e seguir a garota do que August, o Sunai mais novo, que ninguém conhece a identidade?
"'Tome cuidado”, os pais diziam aos filhos, “comporte-se ou os corsais vão vir.” Mas na verdade os monstros não ligavam se você tomava cuidado ou se comportava. Eles habitavam as trevas e se alimentavam de medo."
Com um enredo inovador, a autora consegue construir um mundo novo e apresenta-lo de forma bastante coerente e detalhada, apesar do caos que se impera. A escrita de Victoria Schwab também está fluida e bastante simples, o que torna o livro de fácil compreensão .
August e Kate são personagens bastante complexos e densos, com uma bagagem emocional grande e muito bem trabalhada. A autora acrescenta reflexões e dilemas emocionais e morais, como o significado verdadeiro do bem e do mal, visto que August é um monstro que nasceu do horror e tanta a todo custo ser bom. E Kate, a humana , que faz o possível para que tudo e todos a temam para ter a aceitação do pai, um homem extremamente cruel.
Ambos são personagens carismáticos que transmitem empatia para o leitor, que quando menos espera, está torcendo e sofrendo junto. E eles formam uma dupla e tanto, devo confessar.

Já um ponto que me incomodou foi o andamento da trama, que é bastante lento, apesar da escrita simples da autora. A historia é desenvolvida aos poucos, e em um ritmo bastante lento. Até a metade do livro nada acontece, é somente a introdução desse novo mundo, e isso , apesar de ser bastante proveitoso para a compreensão, torna também a leitura um tanto quanto arrastada. Eu demorei para engrenar na leitura, devo confessar.

Enfim, “A Melodia Feroz” é um livro muito bom. Eu esperava algo menos teen e mais assustador. Mas, em geral, é uma leitura bastante interessante. Com certeza indico para quem é fã de conteúdo distópico.

Já o trabalho da editora está extremamente caprichado. O livro possui uma diagramação diferenciada, alem de conter capítulos divididos entre o ponto de vista dos protagonistas, também é divido em sessões, e essas paginas são pretas com a fonte em branco. Já o miolo possui paginas amareladas e uma fonte agradável. A capa é muito bonita e o título condiz com a trama apresentada.

Sobre o autor:


Victoria é o resultado de uma mãe britânica, um pai de Beverly Hills e uma educação sulista. Por causa disso, ela é conhecida pelo seu sotaque. Ela também conta histórias, além de amar contos de fadas, folclore e histórias que a fazem imaginar se o mundo realmente é o que parece.