Resenha: Suicidas - Raphael Montes

25 novembro 2017


Edição: 1
Editora: Companhia das Letras
ISBN: 9788535929447
Ano: 2017
Páginas: 432

Sinopse: Antes que o mundo pudesse sonhar com o terrível jogo da baleia azul, que leva jovens a tirara própria vida, ou que a série de televisão 13 Reasons Why fosse lançada e set ornasse o sucesso que é hoje, Raphael Montes, então com 22 anos,já tratava do tema do suicídio entre jovens, com a ousadia que virou sua marca registrada. Em seu primeiro livro, que a Companhia das Letras agora relança acrescido de um novo capítulo, conhecemos a história de Alê e seus colegas, jovens da elite carioca encontra dos mortos no porão do sítio de um deles em condições misteriosas que indicam que os nove amigos participaram de um perigoso e fatídico jogo de roleta russa. Aos que ficaram, resta tentar descobrir o que teria levado aqueles adolescentes, aparentemente felizes e privilegiados, a tirar a própria vida. Para isso, contamos com os escritos deixados por Alê, um narrador nada confiável.

Resenha por Janaina Simplício


O inicio conta sobre a amizade de Zak e Alê, que se conhecem desde a infância e mesmo com suas diferenças se mantiveram unidos até a faculdade. Zak, um filho da alta sociedade carioca, vive de festas, bebidas e mulheres, já Alê, é estudioso e adora escrever. E assim os demais personagens da trama começam a ser agregados a dupla.

Os nove jovens formam um grupo pouco convencional, alguns sem um elo explicável, o que deixa mais intrigante o fato deles tomarem a decisão de tirar suas vidas.
No decorrer do livro, vamos conhecendo os motivos, ou falta deles, sob a narrativa de Alê, que está escrevendo sobre os eventos finais.
“Vai ser divertido. Vão ter que explicar o que foram fazer numa casa onde nove jovens se suicidaram.”
O livro aborda um tema forte que eu particularmente tenho dificuldade de ler (acabo ficando meio paranoica após leituras desse gênero). É muito bem escrito, o autor consegue descrever de forma envolvente, sem ficar pesado demais e nem banalizar.

A escrita é feita em 3 linhas de tempo, uma narrando os acontecimentos antes da decisão, outra descrevendo o acontecimento e a última, com as mães dos jovens e a delegada tentando entender e solucionar o caso.
Cada personagem vai revelando que as coisas não são tão simples, e que não é somente um motivo ou uma escolha. Se é que pode ser chamada de escolha. Principalmente quando um grupo toma essa ação, até onde foi por vontade própria ou de alguma forma manipulado ou levado a essa ação.

Em meio às descrições, acompanhamos os segredos mais íntimos serem revelados, as convenções sociais deixam de existir, e fica o puro instinto básico do homem. Até onde você é capaz de ir, quando não se tem mais alternativas, e como reage diante da morte?
“Consegui imaginar um dia ensolarado, bonito. Deus La em cima (...). Ele me criou. Pouco depois, percebeu que eu seria um individuo feliz demais, então decidiu inventar aquela criatura de nome Waleria só para me irritar. Ela nunca tinha me feito nada demais, mas eu odiava tudo nela. Simples assim.”
Gostei da capa, escolha simples e forte, com relevo. Páginas amarelas e letras em tamanho adequado, possui orelhas e divisor de capitulo numérico. Boa diagramação. A editora está de parabéns pela qualidade das capas e dos livros. 
Um livro interessante, que faz refletir bastante em como agimos e que até a falta de ação tem conseqüências. para quem curte o gênero, recomendo.


Avaliação: 



Sobre o autor: 





Nasceu em 1990, no Rio de Janeiro. Advogado e escritor, publicou contos em diversas antologias de mistério, inclusive na Playboy e na prestigiada revista americana Ellery Queen Mystery Magazine. Suicidas (Saraiva), romance de estreia do autor, foi finalista do prêmio Benvirá de Literatura 2010, do prêmio Machado de Assis 2012 da Biblioteca Nacional e do prêmio São Paulo de Literatura 2013.