Resenha: O Livro do Juízo Final (Oxford Time Travel # 1) - Connie Willis

15 novembro 2017

Edição: 1
Editora: Suma de Letras Brasil
ISBN: 8556510388
Ano: 2017
Páginas: 576

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Sinopse: Para Kivrin, que se prepara para um estudo de campo em uma das eras mais mortais da história humana, viajar no tempo é tão simples quanto tomar uma vacina desde que seja uma vacina contra as doenças encontradas na Idade Média. Já para seus professores, isso significa cálculos complexos e um monitoramento constante para garantir o reencontro. No entanto, uma crise de proporções inimagináveis pode colocar o futuro de Kivrin, e de todo o Reino Unido, em perigo. Seu professor mais próximo, o sr. Dunworthy, fará de tudo para resgatá-la. Mas até que ponto é possível desafiar a morte. De 1300 a 2050, Connie Willis faz um trabalho magnífico na construção de personagens complexos, densos e pelos quais é impossível não sentir empatia. O livro do juízo final é ao mesmo tempo uma incrível reconstrução histórica e uma aula sobre o poder da amizade.


Esse é meu primeiro contato com alguma obra da autora e gente, preciso ler mais livros dela. Vocês não imaginam como eu me apaixonei por essa história e pelos personagens!
Kivrin é uma estudante que está se preparando para dar um salto no tempo até 1320 para estudar essa época tão difícil em razão das doenças, perseguições às bruxas, criminalidade, falta de saneamento e outras questões. Isso só acontece porque o reitor da faculdade está de férias e seu substituto, o professor Gilchrist, acha que todos os relatos dessa época são exagerados e que é uma ótima oportunidade de mandar um aluno para lá e estudar os "verdadeiros" costumes da época.
''...às vezes a gente faz tudo por uma pessoa, mas isso não basta para salvar a vida dela.''

Decidida a enfrentar o desafio, Kivrin nem se abala quando seu professor mais próximo, Dunworthy, tenta demovê-la do intento. Assim, na véspera de natal, ela é enviada para o meio da estrada entre Bath e Oxford, no ano de 1320, devendo passar as próximas duas semanas num vilarejo que está sendo escavado por uma de suas professoras no presente.
Mas... alguma coisa sai errado e o técnico responsável pelo salto procura Dunworthy para avisar que algo não seguiu os parâmetros, mas antes de poder explicar o que aconteceu, cai terrivelmente doente. Claro que a medicina evoluiu e logo é detectada a doença como mixovírus de Influenza, um vírus violento e que se espalha rapidamente. Oxford fica de quarentena, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças correm contra o tempo para sequenciar o vírus e encontrar uma vacina e Dunworthy tenta de tudo para descobrir o que fazer por Kivrin, sem ter ideia sequer se ela conseguiu chegar ao local que deveria chegar… e se foi exposta à influenza antes do salto.

Assim, vamos acompanhando o presente (2054) e o passado (1320) sob as perspectivas dos personagens. Enquanto em 2054 Dunworthy tenta de todas as maneiras saber se Kivrin está bem e trazê-la de volta, em 1320 Kivrin cai doente, é amparada por uma família em Oxford e ali se mantém para recuperação. Estranhamente, ninguém mais pega o vírus de Kivrin, que acabou fazendo-a esquece do lugar onde pousou, o que ela precisa descobrir para poder voltar ao seu tempo.
"Ela está a setecentos anos de casa, pensou Dunworthy, num século que desdenhava das mulheres a ponto de nem anotar seus nomes quando morriam."
Utilizando-se de críticas sutis, a autora cria um enredo marcante e cheio de reviravoltas. Aborda a amizade como plano de fundo principal. Também é reflexivo pois acompanhamos a trajetória dos personagens através de tempos que remontam a situações de dificuldades para as mulheres se expressarem e de um avanço na ciência que não se mostra algo bom por completo. É fato que a autora pesquisou muito para a construção do enredo e soube utilizar esse conhecimento com maestria. Connie traz ainda importantes reflexões sobre vida e morte, sobre se nós realmente não estamos na época em que deveríamos estar. Como algumas coisas podem interferir fortemente na vida das pessoas: costumes de uma época, religião e sua influência, independente do período em que se esteja.

A história é tão convincente que nos apegamos facilmente aos relatos e viramos companheiros dos personagens. Acompanhar o presente e o passado foi uma experiência maravilhosa para mim. Conni conseguiu criar um enredo fantástico e crível. A narrativa em terceira pessoa só contribuiu para que tudo se tornasse mais real.
Os personagens são bem construídos e cada um tem sua serventia para a trama não ficar enfadonha. Outro ponto positivo da história é a overdose se sentimentos que nos arrebatam durante a leitura: no começo do livro, rimos horrores, do meio por final, não conseguimos mantes nossos olhos secos! <3
"Nada que possa afetar o curso da História pode passar pela rede... Radiações, toxinas, micróbios, nada disso passa através de uma rede. Em qualquer um desses casos, a rede simplesmente não abre.E pra quê viajar no tempo? Para compreender melhor os costumes do passado, para coletar informações valiosas sobre doenças, e assim, contribuir ainda mais para o futuro."

A edição da Suma de Letras está linda demais. Capa dura, ótima diagramação, letras em tamanho confortável para a leitura e poucos erros de revisão aparentes. Como um todo, o livro é perfeito! Este é o primeiro livro de uma série, e confesso, acho que não tenho condições psicológicas para encarar a continuação, mas quero, com todas as minhas forças! rsrsrsrsrs

Do mais, só posso indicar. Espero que vocês se apaixonem pela história tanto quanto eu me apaixonei!


Avaliação: 



Sobre a autora: 





Constance Elaine Trimmer Willis, conhecida como Connie Willis, é uma escritora estadunidense de ficção científica. É uma das mais prestigiadas escritoras do gênero.