Resenha: Cabeças de Ferro - Carol Sabar

06 novembro 2017


Edição: 1
Editora: Jangada
ISBN: 9788555390562
Autor: Carol Sabar
Serie: Cabeças de Ferro – Livro 1
Ano: 2016
Páginas: 304

Sinopse:
Nem em seus piores pesadelos, Malu imaginava que sua vida universitária começaria tão tumultuada!
Ela acaba de ser aprovada no concorridíssimo vestibular da “Universidade dos Cabeças de Ferro”, e agora, com o apoio de Nicolas – que sonha ser muito mais que seu amigo –, prepara-se para encarar o temido trote da Engenharia.
O veterano designado para aplicar o trote em Malu é ninguém menos que Artur Cantisani, o seu sexy arqui-inimigo, responsável pela humilhação que ela sofreu aos 11 anos de idade, na frente de toda a escola.
Inesperadamente, porém, quando o trote começa, Artur despeja a gosma não em Malu, mas em outra caloura, que sofre um choque anafilático! Veteranos e calouros fogem, deixando Malu, Artur e Nicolas sozinhos na “cena do crime”.
Mas por que a gosma despejada na caloura era a única de cor diferente? E por que todas as outras garrafas com gosma desapareceram sem deixar rastro? Alguém estaria tentando ocultar provas? Os estudantes da Engenharia estariam na mira de um assassino?
Envolvidos até o pescoço, Malu e Artur, apesar de se odiarem, não têm outra saída a não ser unir seus cérebros brilhantes para desvendar o que há por trás de tanto mistério.
Com a mesma linguagem espontânea e divertida que conquistou tantos leitores, Carol Sabar agora conta uma história irresistível, cheia de suspense, romance e adrenalina.



Resenha:

Malu é oficialmente aprovada como uma “Cabeça de Ferro”. Aprovada no primeiro lugar no curso de Engenharia de Produção na mais conceituada faculdade do Pais, a UPN, conhecida como a universidade dos Cabeças de Ferro, pelo grau de dificuldade do vestibular e da grade curricular.
Depois de passado a fase do vestibular, agora Maria Luísa precisa enfrentar o que para ela, é a coisa mais complicada do curso: o trote vexatório. Que por sinal, é proibido, mas que segue como uma tradição, onde veteranos pregam peças nos calouros, os obrigando a participar de atividade humilhantes.

O drama de Malu não está em participar do trote – que sim, é algo horrível - , mas sim no fato de que o veterano designado a aplicar o trote nela é o que tirou a maior nota no vestibular do semestre passado, que é ninguém menos que Artur Cantisani, seu inimigo declarado desde o ensino fundamental, quando ele a humilhou na frente de todos os seus colegas de classe, fazendo-a receber o apelido de Pikachu.
"Fiquei sem entender se aquilo era um sorriso de deboche ou uma forma silenciosa de me confessar que, na verdade, não estava tão feliz de ser meu veterano-carrasco."
O inicio do trote é uma espécie de batismo, onde os calouros formam uma fila indiana conforme a ordem de aprovação, e os veteranos, também por ordem de aprovação, derramam uma gosma colorida e fedorenta  em suas cabeça. Os primeiros são Malu e Artur, mas na hora “H”, o velho rival da menina faz algo inusitado: ao invés de jogar a gosma em Malu, Artur derrama no liquido na segunda colocada, a livrando de ser novamente humilhada em publico por ele.
Mas a fato de Artur a ter poupado do vexame fica em segundo plano quando a garota em quem ele despejou o conteúdo da garrafa que deveria ser de Malu sofre um ataque anafilático e fica entre a vida e a morte, tudo por conta de uma substancia alergênica colocada junto com o preparado.
A partir desse momento a vida dos estudantes de engenharia da UPN vira de cabeça para baixo, com o assedio da mídia, todos noticiando sobre a quase morte da aluna e também sobre o fato de que o trote vexatório – considerado um crime – aconteceu dentro das dependências da maior faculdade de Ponto sem Nó!
“A única garrafa contaminada com Agressílico era a que eu deveria ter despejado em você. Sabotaram o trote da Engenharia. Alguém queria matar você."
Sou uma pessoa suspeita para falar sobre Carol Sabar.  Eu a conheci na Feira do Livro de Porto Alegre uns anos atrás e ela é uma pessoa fantástica. Também já li o seu livro de estreia, “Como (Quase) Namorei Robert Pattinson”.
Carol possui uma escrita simples e fluida, bastante objetiva e com traços característicos do gênero ao qual se propõe a escrever.
A trama conta com um enredo inteligente e bem desenvolvido. Com a junção de um cenário bem elaborado repleto de diálogos inteligentes e personagens sagazes, a autora faz de “Cabeças de Ferro” um livro muito bom, transformando o simples em algo encantador.

Como eu já mencionei, os personagens são bem elaborados, com personalidades bem definidas. E até mesmo os secundários tem a sua cota de importância durante o desenvolvimento.
“Cabeças de Ferro” mescla romance, humor, drama e assuntos polêmicos como o consumo de drogas e homossexualidade.
Sim, é um livro clichê, como já se é esperado para o gênero, mas a narrativa simples e fluida da autora faz com que a leitura seja prazerosa.

Em contra ponto, existe uma característica que me incomoda na escrita da autora, que é o fato de ela citar marcas de produtos e objetos diversas vezes durante a trama, frisando custo. Isso somado ao fato de que a protagonista é fútil, torna o personagem bastante cansativo..
Malu é para ser uma universitária descolada e extremamente inteligente, mas  se mostrou imatura e infantil em diversos sentidos. O humor de Malu não me convenceu, assim como os personagens masculinos não me encantaram.
Não me entendam mal, os personagens são complexos e bem desenvolvidos, mas simplesmente não  encantam o leitor, não despertam emoções suficiente para que ao virar as paginas se torça por eles.
A autora também tentou introduzir na trama um elemento que odeio: o triangulo amoroso. De forma tortuosa e que tirou o foco do suspense.

Enfim, como eu já comentei, Carol Sabar possui uma escrita bastante leve e fluida, mas ao pesar a mão em alguns características do gênero, ela acaba sobrecarregando o leitor e tornando a leitura um tanto quanto irritante em determinados momentos.

O desfecho do livro também não me agradou, mas como a autora promete uma serie, acredito que esse detalhe vai ser corrigido.

No geral, “Cabeças de Ferro” é um livro bom,  que te encanta em diversos momentos, mas que também deixa a desejar em alguns.
Gostaria de deixar claro que os pontos negativos citados são uma opinião pessoal e que não desmerecem o trabalho da autora, que possui um talento inegável.

Já sobre o trabalho da editora, não tenho muito o que falar, uma palavra define: Perfeito.
A capa é simples, diferente dos livros anteriores já publicados da autora, mas que coincide perfeitamente com a trama apresentada. A diagramação simples, mas de qualidade. Sem erros de revisão aparente, folhas amareladas e uma fonte agradável para leitura.
"Talvez seja simplesmente isso, afinal; talvez seja simples. Talvez o tempo não exista para as coisas do coração; a matemática dos ponteiros desafiada pela irracionalidade do que, para mim, parecia um sonho, onde tudo acontece ao mesmo tempo e a gente nunca sabe direito quando as coisas começam... Nem quando terminam."
“Cabeças de Ferro” é uma obra que reúne romance e suspense policial, regada a muitas intrigas e conspirações. De uma forma geral, é um livro que proporciona uma leitura bastante agradável para quem se dispõe a ler de forma despretensiosa.

Sobre o autor:

Carol Sabar nasceu em 1984, em Juiz de Fora, Minas Gerais. Formou-se em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Juiz de Fora e trabalha na fábrica de meias da sua família. 
Carol é viciada em literatura desde a infância. Mas tem uma queda maior por "chick-lit", gênero em que se encontrou como escritora.

Carol também é autora de "Como (quase) Namorei Robert Pattinson". Para ler a resenha já publicada aqui no blog, é só clicar no titulo.