Resenha: A Garota do Lago - Charlie Donlea

07 outubro 2017

Edição: 1
Editora: Faro Editorial
ISBN: 9788562409882
Autor: Charlie Donlea
Titulo original: Summit Lake
Ano: 2017
Páginas: 296
Tradutor: Carlos Szlak

Sinopse:
ALGUNS LUGARES PARECEM BELOS DEMAIS PARA SEREM TOCADOS PELO HORROR...
Summit Lake, uma pequena cidade entre montanhas, é esse tipo de lugar, bucólico e com encantadoras casas dispostas à beira de um longo trecho de água intocada.
Duas semanas atrás, a estudante de direito Becca Eckersley foi brutalmente assassinada em uma dessas casas. Filha de um poderoso advogado, Becca estava no auge de sua vida. Atraída instintivamente pela notícia, a repórter Kelsey Castle vai até a cidade para investigar o caso.
E LOGO SE ESTABELECE UMA CONEXÃO ÍNTIMA QUANDO UM VIVO CAMINHA NAS MESMAS PEGADAS DOS MORTOS...
E enquanto descobre sobre as amizades de Becca, sua vida amorosa e os segredos que ela guardava, a repórter fica cada vez mais convencida de que a verdade sobre o que aconteceu com Becca pode ser a chave para superar as marcas sombrias de seu próprio passado...
Resenha:

Summit Lake é uma pacata cidadezinha nas montanhas onde nada acontece. Todos os moradores se conhecem e sabem tudo um da vida do outro.  É a típica cidade do interior, com suas casas encantadoras e o espírito de boa vizinhança.
Mas então Becca Eckersley é brutalmente assassinada na casa de seus pais a margem do lago. Ninguém tem a mínima noção do que aconteceu, ou como. Em um dia a menina estava instalada na pacata cidade para passar as férias da faculdade e no outro estava morta, de forma brutal e com requintes de crueldade.
Após o crime, estranhamente as provas e evidencias do caso começam a ser encobertas e a família da menina se recusa a comentar o caso, gerando assim um interesse ainda maior da população e também da mídia

Já Kelsey, a jornalista de uma famosa revista, esta se recuperando de uma situação traumática, e para aliviar a pressão dos últimos acontecimentos é enviada por seu chefe para Summit Lake, para investigar a morte de Becca e escrever uma matéria sobre o misterioso caso em aberto.
Mas então, com a ajuda de diversas figuras importantíssimas, Kelsey se vê em meio a um enigma, e consequentemente em uma corrida contra o tempo para encontrar o assassino antes que ele ou a policia a encontre. Mas tudo depende do quem vai colocar as mãos primeiro no diário de Becca, que é a única pista que pode levar diretamente para o assassino e a fim do mistério que cerca a morte da garota.
“Ferida e sangrando, Becca ficou ali, desfalecida, acordando cada vez que ele a maltratava em ondas coléricas, violentas. A impressão foi de que se passou uma eternidade antes de o homem decidir abandoná-la. Antes de ele escapar pela porta corrediça de vidro da sala, largando-a aberta e deixando que o ar frio da noite penetrasse pelo recinto e atingisse o seu corpo despido.”
“A Garota do Lago” é narrado em terceira pessoa e dividido entre quatro partes distintas. Alem dessas “partes” que dividem os acontecimentos narrados, também temos capítulos intercalados entre o presente e o passado, alternando entre o ponto de vista de Becca – passado – e o de Kelsey – presente-.
Durante a narrativa o leitor é apresentado a poucos personagens, mas todos eles são importantíssimos para o desenvolvimento da trama, apesar de muito pouco explorados.
Ao abrirmos o livro já sabemos que Becca foi assassina, com todos os detalhes, exceto quem cometeu o crime. Quando se trata da narrativa de Becca, é feita em retrospecto, mostrando como ela foi assassina e depois como ela viveu seus últimos quatorze meses de vida.
Becca em si é um personagens precariamente desenvolvido. O autor cria para ela uma espécie de dupla personalidade, duas facetas extremamente distintas e que em conclusão não é revelado qual delas é a sua personalidade. Ficamos sem saber se ela era realmente a boa moça que aparentava ou o lobo na pele de cordeiro.
O autor também peca pela previsibilidade. Já logo nos primeiros capítulos temos certeza de quem é o assassino, apesar de ele ser revelado apenas nas ultimas paginas.

 De uma forma bastante tortuosa, Charlie Donlea tentou incluir dois gêneros em sua obra e ao final o resultado não foi lá o esperado. Em “A Garota do Lago” existe uma misto de romance com suspense policial. Tudo gira em torno de um assassinato brutal, mas até chegar no desfecho, nos vemos enredados em um romance melodramático, digno de JoJo Moyes, que até esquecemos que ao final a garota vai ser estar morta, não importa o quanto se torça.

Em geral, a historia é fantasiosa demais para ser classifica para um suspense policial. A trama é contraditória em todos os sentidos, tanto por Becca quanto por Kelsey, que consegue facilmente todas as resposta que precisa das fontes mais improváveis que se pode imaginar.
Em contra partida, o autor possui uma escrita bastante simples  e fluida e extremamente detalhada. Charlie consegue nos transportar para a cena ao descrever os detalhes, de forma genial , sem ser cansativo.
Em suma “A Garota do Lago” possui um enredo bastante interessante que nos envolve, apesar de pouco original ou inovador.
Se você é fã de suspense, eu aconselho a ler o livro de forma despretensiosa, pois é uma obra que tem contradições no desenvolvimento e que vai irritar alguns leitores acostumados com o gênero. O enredo contrasta o infanto juvenil, com o amor idealizado, e o horror de um crime hediondo, como o assassinato a sangue frio.
"Mas descobrir um segredo jamais é a chave. Descobrir por que um segredo é um segredo é o que leva a algum lugar."
Sobre o autor:


Charlie Donlea vive em Chicago com sua esposa e dois filhos. Um de seus hobbies é pescar em lugares praticamente desertos do Canadá. Essas viagens por estradas paradisíacas inspiraram o cenário para o seu livro de estreia. Ávido leitor, é também apaixonado. Quando decidiu escrever seu primeiro livro, ele se preparou para produzir algo como tudo o que gosta de encontrar nos seus filmes e livros prediletos: uma história capaz de deixar o leitor refletindo sobre ela por muito tempo.