Resenha: O Beijo Traiçoeiro - Erin Beaty

20 setembro 2017

Edição: 1
Editora: Seguinte
Autor: Erin  Beaty
Serie:  Traitor's – Livro 1
Titulo original: The Traitor's Kiss
ISBN: 9788555340499
Ano: 2017
Páginas: 440
Tradutor: Guilherme Miranda
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Sinopse:
Com sua língua afiada e seu temperamento rebelde, Sage Fowler está longe de ser considerada uma dama — e não dá a mínima para isso. Depois de ser julgada inapta para o casamento, Sage acaba se tornando aprendiz de casamenteira e logo recebe uma tarefa importante: acompanhar a comitiva de jovens damas da nobreza a caminho do Concordium, um evento na capital do reino, onde uniões entre grandes famílias são firmadas. Para formar bons pares, Sage anota em um livro tudo o que consegue descobrir sobre as garotas e seus pretendentes — inclusive os oficiais de alta patente encarregados de proteger o grupo durante essa longa jornada. Conforme a escolta militar percebe uma conspiração se formando, Sage é recrutada por um belo soldado para conseguir informações. Quanto mais descobre em sua espionagem, mais ela se envolve numa teia de disfarces, intrigas e identidades secretas. E, com o destino do reino em jogo, a última coisa que esperava era viver um romance de tirar o fôlego.
Resenha:

"O Beijo Traiçoeiro" chegou em minhas mãos como uma prova antecipada fornecida, com muito carinho, pela editora Seguinte. Nem posso mensurar a minha felicidade, pois eu já estava de olho nele desde o momento em que foi anunciada sua publicação. Mas, também devo dizer que me equivoquei sobre seu conteúdo. Em uma primeira olhada na capa e sinopse eu imaginei que se tratava de um romance de época, semelhante as obras de Julia Quinn. Bom, eu estava  enganada, mas recebi uma bela surpresa, “O Beijo Traiçoeiro” me prendeu do inicio ao fim.

Sagerra Fowler perdeu os pais muito cedo e acabou por ser criado pelos tios, mas obrigada a trabalhar como professora dos primos menores.
Atualmente com 16 anos de idade, Sage sabe que seu destino esta prestes a ser traçado e que ele esta nas mãos de seu tio, um homem de honra duvidosa com o qual nunca teve uma boa relação. Suas  opções de vida se resumem a duas: arruma um casamento ou um emprego.
Obviamente, Sage anseia pela segunda opção, ela não tem a mínima inclinação para o matrimonio, como as outras meninas da sua idade. Sua personalidade e seu temperamento forte, somando a sua língua afiada e seu anseio por conhecimento, faz com que ela seja vista como selvagem e indomável pela sociedade e não uma dama adequada para a alta sociedade.
Mas os planos do tio de Sage é entregar o destino da garota nas mãos de Darnessa, a famosa casamenteira que é a responsável por todos os matrimônios bem sucedidos da sociedade.
Mas a inapropriedade de Sage vai alem de suas cacteristicas pessoais, ela também tem uma mancha em seu passado. O fato de seus pais terem escolhido um ao outro para casar-se, fez de ambos e sua prole, páreas na sociedade. O fato de agora ser órfã e morar de favor com os tios não melhora em nada a sua situação, nem mesmo o bom nome deles.
Em todo caso, a entrevista de Sage com Darnessa se mostra um fracasso e a casamenteira desiste da menina antes mesmo de começar. Mas ela faz uma outra proposta para Sage: tornar-se sua aprendiz. Obviamente isso soa uma ofensa, pois ela acredita no amor verdadeira e no livre arbítrio. Mas, entre continuar sob a tutela de seu tio e ter o próprio emprego e relativa liberdade que ele lhe proporciona, a garota abraça a proposta com todas as suas forças.

Em contra ponto temos o capitão Quinn, um oficial do exercito que vive sob a sombra do pai, um condecorado militar, e que após seu fracasso em uma importante missão, acaba sendo “punido”  com a obrigação de ir junto com seu regimento fazer a escolta das damas que estão a caminho do Concordium, um importante evento que ocorre apenas de tempos em tempos, onde Darnessa leva as melhores damas a publico e intermédia casamentos entre os nobres.

Enquanto a comitiva segue seu caminho, Sage trabalha para a casamenteira infiltrada no grupo das meninas para descobrir características e peculiaridades de cada dama. Mas ela também mantem um olho nas atividades dos militares, absorvendo todas as informações sobre os oficiais que pudessem ser relevantes futuramente para Darnessa, já que ser parte do exercito também torna o rapaz um bom partido.

A principio, os homens começaram a desconfiar do comportamento de Sage, mas aos poucos a sagacidade e a inteligência de Sage chamam a atenção do Capitão Quinn, que trabalha em uma missão secreta que pode ser crucial para a segurança do reino.
"O principal trabalho da alta casamenteira era selecionar as melhores da região para a conferência realizada uma vez a cada cinco anos, mas ela não desejaria entrar nem se fosse bonita ou rica o suficiente para ser considerada. Não tinha a menor vontade de ser guiada pelo país até Tennegol e praticamente leiloada como uma cabeça de gado premiada."
Quando eu falei que foi um equivoco julgar o livro pela capa, não estava falando somente do fato de que a trama não tem nada, nem de parecido, com um romance de época. Mas também pelo fato de que a construção do enredo é extremamente complexa e bem elaborada.

A historia é ambientada em um universo único e rico. Demorra é um lugar onde a monarquia impera, e é repleta de territórios anexados, governados por diferentes pessoas, mas que respondem para o mesmo rei. Obviamente existe toda uma politica envolvida e traições e rebeliões são corriqueiras. Mas isso cabe ao exercito coibir avances revolucionários.

“O Beijo Traicoeiro” é sim um romance, mas que não fica somente nisso. O foco da trama está nas intrigas políticas e nas espionagens de Sage, tanto para ajudar Darnessa, quanto para Quinn, levando o leitor a questionar se as funções de casamenteira e espia não são, de alguma forma, extremamente semelhante.

Sage é um personagem impar, ela é forte e capaz e não se submete a ninguém, seja ele homem ou mulher. A autora peca no fato de não ter desenvolvido suficiente figuras secundárias, deixando o leitor na ansiedade de conhecer melhor determinados personagens. Mas isso é algo pouco relevante, levando em consideração que este é o primeiro livro de uma trilogia.

A narrativa é feita em terceira pessoa, proporcionando ao leitor uma visão geral dos personagens, alem de capítulos intercalados alternando focos.

Em geral, o livro é uma leitura gostosa e fluida, que  te prende do inicio ao fim, pois mescla romance, intrigas e espionagem de uma forma intrincada que é quase impossível desgrudar.

Sobre o autor:


"Oi, eu sou Erin. Eu escrevo livros com uma pitada de fantasia  porque, francamente, eu nunca vivi no meu tempo.
Se você procurar um pouco, poderá me  encontrar no Facebook e Twitter ... Estou apenas começando, então seja gentil."