Resenha: Fraude Legítima - E. Lockhart

23 setembro 2017


Edição: 1
Editora: Seguinte
ISBN: 9788555340512
Ano: 2017
Páginas: 280

Sinopse: Jule West Williams é uma garota capaz de se adaptar a qualquer lugar ou situação. Imogen Sokoloff é uma herdeira milionária fugindo de suas responsabilidades. Além do fato de serem órfãs, as duas garotas têm pouco em comum, mas isso não as impede de desenvolver uma amizade intensa quando se reencontram anos depois de terem se conhecido no colégio. Elas passam os dias em meio a luxo e privilégios, até que uma série de eventos estranhos começa a tomar curso, culminando no trágico suicídio de Imogen e forçando Jule a descobrir como viver sem sua melhor amiga. Mas, talvez, as histórias das duas garotas tenham se unido de maneira inexorável — e seja tarde demais para voltar atrás.


Fraude Legítima é o terceiro livro da autora publicado no Brasil. Como não li os outros, fui totalmente surpreendida por sua escrita e narrativa. Lockhart me encantou, confundiu e me deixou curiosa durante toda a leitura.
A sinopse é bem explicativa e nos leva a crer que encontraremos um enredo mais do mesmo. Ledo engano: a trama é tão complexa que o leitor não consegue prever o que acontecerá nos próximos capítulos e nem imagina o que está por vir.
"Jule acreditava que quanto mais se suava no treino, menos se sangrava na batalha.
Ela acreditava que a melhor forma de evitar ter o coração partido era fingir não ter coração.
Acreditava que a forma como se falava era, na maior parte das vezes, mais importante do que qualquer coisa que se tivesse a dizer.
Também acreditava em filmes de ação, em musculação, no poder da maquiagem, em memorização, em direitos iguais e que vídeos do YouTube podiam ensinar um milhão de coisas que ninguém aprende na faculdade."
Comecemos pelos capítulos: a ordem numérica dos mesmos é de trás para a frente, ou seja, começamos a leitura pelo último capítulo e assim vamos acompanhando até o primeiro capítulo, que é onde o livro acaba. Confuso? Sim, mas faz sentido depois que pegamos o ritmo da leitura e passamos a conhecer melhor a personagem principal: Jule West Williams.
Jule é uma órfã que foi criada pela tia. A princípio, acreditamos piamente em tudo o que ela diz, mas depois começamos a desconfiar da veracidade de suas palavras. Jule é uma garota capaz de se adaptar a qualquer lugar ou situação. Consegue imitar sotaques, pessoas; inventa histórias como ninguém. É uma ótima lutadora, sabe se defender se necessário for.

Assim como Jule, Imogem também é órfã, mas Immie foi adotada por um casal rico. É mimada e manipuladora. Quando as duas se reencontram, depois de muito tempo, a amizade renasce quase que instantaneamente. Juntas, vão aproveitar tudo o que o dinheiro pode comprar até que Immie mostra seu verdadeiro lado e as coisas desandam. Jules agora tenta seguir a vida sem sua melhor amiga e é com este fim que vamos começar a leitura.
"Se pelo menos pudesse voltar no tempo, poderia ser uma pessoa melhor. Ou uma pessoa diferente. Seria mais ela mesma. Ou menos. Não sabia o quê, porque não tinha mais certeza de qual era a forma do seu verdadeiro eu. Talvez não existisse nenhuma Jule, mas sim uma série de personas que ela apresentava em diferentes contextos."
Acredito que Fraude Legítima tenha sido inspirado em histórias de anti-heróis ou trapaceiros órfãos. A crença de Jule em ser uma heroína, uma justiceira é crível e nos faz acreditar em suas palavras e atitudes. Sua habilidade de se adaptar também é crível, levando o leitor a desconfiar de sua real identidade durante boa parte do livro.
Ambas as personagens apresentam caráter duvidoso e personalidade complexa, o que nos deixa mais curiosos para saber mais sobre a trama.

A narrativa é em terceira pessoa, pelo ponto de vista de Jules. Lockhart nos apresenta duas protagonistas diferentes uma da outra em uma trama sombria e repetitiva. É suspense do começo ao fim e, quando pensamos que enfim descobrimos algo, a reviravolta acontece, deixando o leitor curioso e confuso; o que não é ruim, pelo contrário! A leitura é rápida e a escrita fluída, o que torna o livro pequeno diante das possibilidades de final que encontramos para ele.
"Podia ser Immie. Podia ser Jule.
Não tinha mais certeza de onde traçar a linha entre elas. Jule usava perfume de jasmim como Imogen, falava como Imogen, amava os livros que Imogen amava. Aquelas coisas eram verdadeiras. Jule era órfã como Immie, uma pessoa que se inventou sozinha, com um passado misterioso. Havia tanto de Imogen em Jule, e tanto de Jule em Imogen."
Ambas são inteligentes e não podem ser subestimadas. São anti-heroínas, carregam a dubiedade de fazer o bem ou o mau. Elas são humanas, passíveis de erros, o que as tornam essenciais e diferentes. Lockhart também critica o protagonismo masculino que sempre acompanha esse tipo de livro, trazendo feminismo para a trama e abordando temas que vivemos no cotidiano de uma sociedade machista.
Confesso que Jule foi a personagem que mais me iludiu durante a leitura. Mesmo assim, adorei conhecê-la e fiquei fascinada por sua garra e força.

A ambientação do enredo também não deixou a desejar: as personagens viajam para lugares maravilhosos como Porto Rico, Inglaterra e México. Mesmo com as poucas descrições das viagens, observamos que os lugares são sempre luxuosos.
Do mais, só posso indicar o livro. Gostei muito da trama e das personagens, não vou falar sobre a edição pois este é um livro prova para resenha antes do lançamento.
"Jule sabia que ela havia se desviado pra cacete do bem. (...) Nunca haveria um salvador que pudesse resgatá-la daquilo. Nunca tinha havido um salvador para ela."


Quer mais alguns motivos para ler Fraude Legítima????
Confira o vídeo abaixo que a Editora Seguinte fez dando a vc, caro leitor, mais 5 motivos:

 


Avaliação: 



Sobre a autora:





E. Lockhart nasceu em Nova York e fez doutorado em literatura inglesa na Universidade Columbia. Deu aulas de redação, literatura e escrita ativa. Seus livros já foram traduzidos para mais de dez idiomas. É autora de Dramarama, The Boyfriend List e Fly on the wall, e coautora de How to Be Bad, com Lauren Myracle e Sarah Mlynowski.