Resenha: Raio de Sol - Kim Holden

30 junho 2017

Edição: 1
Editora: Planeta
Selo: Outro Planeta
ISBN: 9788542207453
Autor: Kim Holden
Titulo original: Bright side
Ano: 2016
Páginas: 448
Tradutor: Regiane Winarski

Sinopse:
Segredos.
Todo mundo tem um.
Alguns são maiores que os outros.
Alguns, quando revelados,
Podem curar você...
E outros podem acabar com você.
Faça épico, costuma dizer Kate Sedgwick quando quer estimular alguém a dar o melhor de si. Nascida numa família-problema, com direito a mortes e abandono, a garota de dezenove anos sempre buscou fazer a diferença. Em vez de passar os dias lamentando os infortúnios da vida, como tantos fariam em seu lugar, sempre vê as coisas pelo lado positivo não é por outro motivo que Gus, seu melhor amigo, a chama de Raio de Sol.
E é por isso que, quando passa na faculdade e se muda da ensolarada San Diego, na Califórnia, para a fria cidade de Grant, em Minnesota, ela leva consigo apenas boas lembranças e perspectivas. O que ela não espera é que será surpreendida pelo amor único aspecto da vida em relação ao qual nunca quis ser otimista ao conhecer Keller Banks, um rapaz que parece corresponder aos seus sentimentos. Acontece que tanto ele quanto ela têm um segredo. E segredos, às vezes, podem mudar tudo.
Resenha:

Hoje eu começo essa resenha pedindo desculpas. Sim, desculpas, pois normalmente eu consigo estruturar bem as minhas resenhas, ler com um pensamento critico a obra e até mesmo ser imparcial na hora de resenha, para expor a minha opinião sem o fato de eu ter gostado – ou não – da obra influencie vocês a ler – ou não – determinado livro. Cito pontos positivos e negativos e deixo que cada um decida o que fazer. Mas hoje, após ler “Raio de Sol”, eu não estou sabendo como lidar com o meu emocional. Meu psicológico esta estraçalhado, e eu preciso colocar em palavras todo esse turbilhão de sentimentos que essa leitura deixou em meu peito, junto com um nó na garganta e a vontade imensa de chorar e abraçar (ou bater nela, pois isso não se faz) a Kim Holden.

Eu terminei de ler “Raio de Sol” faz quase um mês, e eu ainda não tinha conseguido “digerir” toda a bagagem emocional contida nas quase 500 paginas deste livro. Foi épico. Foi intenso. E foi também extremamente desolador.

Eu não sei como falar desse livro sem dar spoilers. É complicado, pois se trata de uma trama que até certo ponto, é bastante clichê.
Katé  tem um lema de vida: “Faça épico”. Ela é uma garota que procurar tirar o melhor da vida, em todos os momentos e em qualquer circunstancia, apesar (ou talvez exatamente por isso)de vir de uma família completamente desestruturada.
Depois de uma infância e adolescência marcadas pelo abandono, agora com 19 anos de idade, Kate está a caminho da tão sonhada faculdade. Mas para trás ela deixa Gus, seu melhor amigo, quem lhe deu o apelido de Raio de Sol. Mas, Gus está com a vida estruturada, prestes a embarcar em seu maior sonho e iniciar uma turnê mundial com sua banda.
"Às vezes, o futuro é supervalorizado. Não estou dizendo que você não deva seguir seus sonhos e objetivos. Só não deixe o presente de lado por um futuro desconhecido. Muitas felicidade são deixadas para trás, ignoradas ou adiadas para um momento que pode não chegar nunca. Não fique esperando as coisas e perca o momento por um amanhã sem garantia."
O objetivo de Kate agora é ser feliz. Tirar da vida o melhor que conseguir, sem arrependimentos ou restrições. E essa positividade que ela emana é como a luz para as mariposas, o que faz com que ela desenvolva rapidamente relações de amizades com varias pessoas a sua volta. Entre elas esta Keller Banks, um rapaz bonitão que trabalha na cafeteria próxima a faculdade e com quem ela tem muito em comum, alem do amor pelo café forte.
Mas não é só a beleza de Keller que chama a atenção de Kate. O rapaz emana um ar misterioso, de quem esconde do mundo seu coração e seus sentimentos, seu verdadeiro eu, características de quem sofre em segredo e esconde a dor por baixo do sorriso, e disso ela entende bem.
Kate vê em Keller um igual, alguém que tentar ver o lado positivo de tudo, que vive um dia de cada vez, sem pensar no amanhã. Pois é exatamente isso que Kate faz: vive o hoje, pois o amanhã é incerto.
Ela esconde algo de tudo e todos. Algo que vai mudar a sua vida, mais cedo ou mais tarde, e mudaria o modo como as pessoas olham para ela hoje, se todos soubessem a complexidade de sentimentos com que ela precisa lidar.
"Não julgue os outros. Todos nós temos nossas merdas. Fiquem de olho nas suas e deixem o nariz longe da vida dos outros, a não ser que sejam convidados a participar. E, quando receberem o convite, ajudem, não julguem."
Como eu falei, inicialmente a construção da trama abre margem para vários elementos clichês, como sexo casual, amor não correspondido, um triangulo amoroso. E isso tudo se sustenta por grande parte da historia, mais da metade, para ser exata. Nada, absolutamente NADA te dá os indícios para o que está por vir. Tanto é, que eu comecei a leitura acreditando que esse livro se tratava de mais um YA, com uma pegada mais erótica. Depois de me sentir traída e enganada, eu cai em prantos,  aquele tipo de crise de choro copioso com direito a nariz escorrendo e soluços.
“Raio de Sol” é aquele livro que fica por muito tempo em sua mente, e você fica naquele looping , alternando entre altos e baixos emocionais.

O ponto alto do livro é a amizade, o valor inestimável de um amigo. Kim Holden trabalha muito bem a interação humana.  Ela criou um grupo pequeno de personagens, mas todos extremamente cativantes e que contribuem para a construção e estruturação da trama ao redor da protagonista. 
A autora também trás pra roda assuntos importantes e polêmicos, como abordo, bulimia e o alcoolismo. Mas, apesar de a problemática ser citada os assuntos não são aprofundados, o que é uma pena. Mas, eu acredito que o livro já é denso o suficiente, que mais do que já foi abordado tornaria a trama forçada.

Enfim,  eu já estou divagando aqui. Me sinto um maracujá de gaveta nesse momento, pois só de lembrar de algumas passagens, já me fez vazar pelos olhos novamente.
Eu só que quero dizer para vocês que nada que eu fale vai preparar o psicológico dos que decidirem se aventurar nessa leitura. “Raio de Sol” é extremamente humanizado, qualquer um de nos pode ser uma Kate, mas eu aposto que a maioria não teria a coragem que ela teve (eu com certeza não teria.)
Kate é uma mulher de fibra, coragem e altruísta, um exemplo a ser seguido por nós, pois a lição de vida que ela nos dá, é algo para ser levado para sempre em nossos corações.

A narrativa é feita em primeira pessoa, alternando o ponto de vista entre  Kate e Keller. Essa foi uma sacada de gênio da autora, pois te aproxima de Kate de uma forma que faz com que você viva com ela (e sofra com e por ela, o que é a causa de todas as minhas lagrimas).
O livro físico também é muito bonito. A capa condiz perfeitamente com a personalidade de Kate. A diagramação é simples, sem erros aparentes, com paginas amareladas e uma fonte agradável para leitura.

Agora, deixo aqui também o meu conselho para os futuros leitores!
Primeiro: Não desista do livro nas primeiras duzentas paginas. Como eu falei, a trama da um giro completo depois daí. Vale a pena esperar, acredite em mim.
Segundo: Não leia de forma compulsiva. Principalmente depois da metade. Você vai precisar de tempo para reestruturar o seu psicológico. Acredite em mim, novamente.
"Hoje, minha vida é maravilhosa. Eu não quero pensar no amanhã. Ou no dia após ele. Então eu repito para mim mesma: Hoje, minha vida é maravilhosa."
Sobre o autor:

Kim Holden estreou na literatura em 2013, com o romance juvenil All of it, e conquistou milhares de fãs com Raio de Sol, publicado nos EUA em 2014 sob o título Bright Side. Casada e mãe de um garoto, mora em Denver, no Estado americano de Colorado, adora andar de bicicleta e é apaixonada por café gelado e música – seus livros têm influências de bandas como The Cure, Sunset Sons e Teenage Bottlerocket. A sequência de Raio de Sol, publicada em 2015 nos EUA sob o título Gus, também será editada pela Planeta no Brasil.