Resenha: Over The Rainbow: Um livro de Contos de Fadxs - Milly Lacombe, Renato Plotegher Jr., Eduardo Bressanim, Maicon Santini e Lorelay Fox

12 fevereiro 2017


Edição: 1
Editora: Planeta
ISBN: 9788542207422
Ano: 2016
Páginas: 224

Livro cedido em parceria com a editora
Sinopse: E se a Cinderela se apaixonasse por uma garota, e não por um príncipe encantado? Ou se os irmãos João e Maria, homossexuais assumidos, enfrentassem a ira de uma madrasta religiosa que só pensa em curá-los? Ou, ainda, se a Branca de Neve, abandonada numa cidade bem distante de sua terra natal, fosse acolhida por... sete travestis?
Pois pare de imaginar se os contos de fadas fossem revisitados e recebessem uma roupagem LBGTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais). Abra este livro e confira as clássicas histórias da infância de milhões de pessoas contadas sob a ótica de cinco autores que fazem parte desse universo, representado pelas cores do arco-íris. Ou melhor, contos de fadxs, como reza a nova norma de gêneros.

 

Over the Rainbow é uma coletânea de contos, escrito por cinco representantes da comunidade LGBTT.
O livro nos ajuda a conhecer um pouco mais sobre o universo LGBTT, abordando temas como preconceito, intolerância, aceitação, o medo de ser jugado pela sociedade, entre outros.
Cada conto aborda situações diferentes e personagens únicos. Alguns gostei bastante, outros nem tanto, então achei melhor fazer um breve descrição de cada conto, separadamente:

Mais do que manteiga com mel (Milly Lacombe) 

“A voz da madrasta era grossa e dura. Não havia espaço para réplicas, nunca houve. Porque o pai se casou com um mulher tão amarga depois que sua mãe morreu ela jamais saberia. Catarina e a madrasta nunca se deram especialmente bem, mas a morte do pai derrubou máscaras que ela preferia não ter visto cair.”
O conto nos apresenta Catarina, um garota maltratada pela madrasta, que encontra na empregada da família uma amiga, quase um mãe. O conto destaca o amor de Catarina por outra garota, seus desejos e o medo de revelar seus sentimentos. Sua história muda com ajuda de uma fada madrinha muito divertida. Este foi um dos contos que gostei, foi bem elaborado, com uma boa narrativa. 

O amargo da intolerância (Renato Plotegher Jr.)
“João e Maria eram muito ligados desde pequenos. Faziam tudo sozinhos, cuidavam um do outro, eram cúmplices de tudo o que aprontavam. Maria sempre defendia o irmão no colégio quando encrencavam com seu jeito diferente. Apesar de João não ligar, Maria não admitia que fizessem piadas e até perseguia os agressores. Maria era realmente meio João, e João era muitas vezes meio Maria.”
João e Maria, dois irmãos ambos homossexuais, uma madrasta má e um pai com muito amor pelos filhos. Mais um conto que me agradou bastante, mostra que o amor da família é importante, e por outro lado, mostra a violência cometida por pessoas preconceituosas.

Atormentado (Eduardo Bressanim)

“Atormentado” conta a história de Bruno, um rapaz amargo e sempre preocupado consigo mesmo, sempre procurando parceiros diferentes a cada noite. Este foi o conto que mais fugiu, na minha opinião, do conto a que faz referência. Em alguns momentos a narrativa se apresentou maçante e cansativa. 
O loirinho de Joá (Maicon Santini)
O conto traz a história de Augusto, um jovem rico, de beleza encantadora, que sofre com o preconceito do próprio pai, que não aceita que o filho seja gay. Apesar de não remeter ao conto de Rapunzel, tem uma boa narrativa, trata de temas sérios, o que chamou minha atenção, me prendendo a leitura.

A ressurreição de Júlia (Loreray Fox)

“Nas noites de espera, quando a figura de sua mãe irrompia seus pensamentos, abraçava forte o travesseiro e chorava. Muitas vezes clamava por conselhos; outras pedia conforto. Mas agora ela só queria ter alguém com quem partilhar tanta emoção e alegria. Finalmente seria quem sempre foi!”
Júlia vive com a madrasta, e sonha em fazer a cirurgia de mudança de sexo, mas sua beleza causa a inveja da madrasta que a engana e se livra de Júlia. Mas essa história tem um final feliz... 
Este conto é, sem dúvida, o que mais cumpriu a proposta de adaptação do conto original, tem uma narrativa leve e agradável, tornando a leitura interessante.
O livro físico é muito bonito, a capa traz as cores do arco-íris, que representa a comunidade LGBTT; as cores representam a diversidade humana (que deve ser respeitada sempre!). A diagramação está perfeita, as letras em tamanho confortável para leitura, as quebras de linhas são representadas em cada conto por um ícone dos contos de fadas.

Mais do que nos fazer relembrar os contos de infância, o livro nos faz entender um pouco mais sobre as diferenças entre as pessoas, mostrando que o preconceito não deve ser aceito, pois somos todos iguais mesmo com todas as diferenças. Um livro para ser lido sem preconceito.
Sim, eu recomendo a leitura desses contos de fadxs com certeza! E que todos possam viver felizes para sempre... ;)

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