Resenha: Nem Tudo Será Esquecido - Wendy Walker

24 janeiro 2017


Edição: 1
Editora: Planeta
ISBN: 9788542208337
Ano: 2016
Páginas: 288

Livro cedido em parceria com a editora
Sinopse: Um dos suspenses psicológicos mais elogiados nos Estados Unidos Tudo parece perfeito na pequena Fairview, em Connecticut, até a noite em que a adolescente Jenny Kramer é violentada durante uma festa. Nas horas posteriores, ela é medicada com uma droga controversa para que as memórias da violência sejam apagadas. Mas, nas semanas que se seguem, enquanto se cura das dores físicas, Jenny percebe que guardou nuances daquela noite. O pai, obcecado por sua incapacidade de descobrir quem abusou de sua filha, busca justiça, enquanto a mãe tenta fazer de conta de que o crime não abalou seu mundo cuidadosamente construído. Segredos da família e do círculo próximo começam a vir à tona durante a busca incessante pelo monstro que invadiu a comunidade – ou que talvez sempre tenha estado lá –, guiando este thriller psicológico para um fim chocante e inesperado.



Nem Tudo será Esquecido conta a história de Jenny Kramer, uma adolescente que fora estuprada cruelmente durante uma festa. A violência sofrida, narrada minunciosamente pela autora, cada detalhe do sofrimento que ela passou, a brutalidade com a qual ela foi violada na mata naquela noite, me deixou realmente perturbada e com um vazio por dentro.
“Ele a seguiu pela mata atrás da casa. O chão estava coberto de vestígios de inverno, folhas secas e galhos que tinham caído nos seis meses anteriores e se acumulado embaixo de uma camada de neve. Talvez ela tenha escutado ele se aproximar. Talvez ela tenha se virado e visto a mascara de lã preta cujas fibras foram encontradas debaixo de suas unhas. Quando caiu de joelhos, o que tinha sobrado dos galhos quebradiços estalou como ossos fracos e arranhou sua pele. Como seu rosto e seu peito foram pressionados com força no solo, provavelmente com a parte externa do antebraço dele, talvez ela tenha sentido as gotículas dos irrigadores de jardim umedecendo o gramado a menos de seis metros de distancia.”
Nas horas que seguem o estupro nós vamos conhecendo os outros personagens: seu pai, Tom Kramer, um homem que demonstra certa fraqueza em relação à esposa; mas que só tem em seu pensamento encontrar o “monstro” que fizera aquilo com sua menina; a mãe Charlotte Kramer, uma mulher decidida, que só quer esquecer tudo o que aconteceu e seguir em frente. Então, ela aceita submeter Jenny a um tratamento para apagar as memórias daquele dia, tentando assim diminuir seu sofrimento.
Jenny era uma menina forte, mas que passou por um sofrimento terrível; tão jovem, teve seu corpo violentado por alguém sem piedade, sem alma. Uma jovem começando a conhecer a vida, e que passou por essa dor tão terrível.
No começo eu fiquei sem saber o que pensar. Como pode uma mãe ser tão fria diante do que a filha tinha acabado de passar? A única vontade dela era “consertar a filha”, fazer com que ela esquecesse tudo como se nada tivesse acontecido. Como pode o pai ter aceitado as vontades da esposa, mesmo contra sua vontade? Conforme segue a historia, segredos começam a serem revelados, traumas de infância, fatos que nunca teriam vindo a tona se não fosse pelo acontecimento daquela noite.
“Charlotte e Tom Kramer não concordavam na decisão de dar a Jenny o tratamento. Charlotte ganhou a briga.”
Outros personagens nos são apresentados. No inicio alguns destes personagens parecem não ter qualquer relação com a história principal, mas com o decorrer da leitura, fica claro que todos se conectam, cada um com seus segredos e problemas.
Como está descrito na sinopse, este é um thriller psicológico, e em vários momentos são feitas descrições de transtornos mentais, assim como de tratamentos com termos médicos, mas que, mesmo com tantos detalhes, não confunde a cabeça dos leitores; pelo contrário; ajuda a entender um pouco mais sobre a atitude tomada por cada personagem no decorrer da trama.
Mesmo que não concordemos com algumas atitudes, nos da à chance de entender um pouco a mente humana.
Com uma narrativa empolgante, em terceira pessoa, Nem tudo será esquecido é um livro com poucos diálogos, são depoimentos dos personagens sobre o que cada um viveu. 
O enredo nos faz pensar sobre o sofrimento de um estupro, seu reflexo em toda uma comunidade, sobre como cada pessoas reage diante de tanta dor. Em todo momento eu me senti envolvida, pude sentir a dor e a força de Jenny, o sofrimento da família, e também do que os pais são capazes para proteger seus filhos.

A edição física está perfeita! Não encontrei erros de revisão que prejudiquem a leitura, a diagramação é simples, mas bem feita. A capa é linda e condiz com o enredo apresentado. Sem mais, vale cada página lida!
O final é realmente surpreendente e impactante, que me deixou totalmente surpresa e ao mesmo tempo chocada. Super recomendo.


Avaliação: