Resenha: Último Turno (Trilogia Bill Hodges #3) - Stephen King

28 novembro 2016


Edição: 1
Editora: Suma de Letras
ISBN: 9788556510181
Ano: 2016
Páginas: 384
Tradutor: Regiane Winarski


Livro cedido em parceria com a editora
Sinopse: Brady Hartsfield, o diabólico Assassino do Mercedes, está há cinco anos em estado vegetativo em uma clínica de traumatismo cerebral. Segundo os médicos, qualquer coisa perto de uma recuperação completa é improvável. Mas sob o olhar fixo e a imobilidade, Brady está acordado, e possui agora poderes capazes de criar o caos sem que sequer precise deixar a cama de hospital. O detetive aposentado Bill Hodges agora trabalha em uma agência de investigação com Holly Gibney, a mulher que desferiu o golpe em Brady. Quando os dois são chamados a uma cena de suicídio que tem ligação com o Massacre do Mercedes, logo se veem envolvidos no que pode ser seu caso mais perigoso até então. Brady está de volta e, desta vez, não planeja se vingar apenas de seus inimigos, mas atingir toda uma cidade.
Em Último turno, Stephen King leva a trilogia a uma conclusão sublime e aterrorizante, combinando a narrativa policial de Mr. Mercedes e Achados e perdidos com o suspense sobrenatural que é sua marca registrada.


Quando comecei a ler a Trilogia Bill Hodges, confesso que fiquei triste por não ter achado, no primeiro livro, o toque sobrenatural que sempre encontramos nos livro do autor. Contudo, me peguei completamente apaixonada pela atmosfera de suspense, ação e horror que Mr. Mercedes nos proporciona. Não obstante, o segundo livro, Achados e Perdidos, vem para tirar o sono dos leitores e principalmente, dos autores! E se você, querido autor que lê essa resenha, tivesse um fã capaz de matá-lo por não gostar do final do seu livro??? Sim meus caros! A Trilogia Bill Hodges encerra-se com chave de ouro e lágrimas nos olhos em Último Turno!
"Dá para encontrar qualquer coisa na internet hoje em dia. Algumas são úteis. Algumas são interessantes. Algumas são engraçadas.
E algumas são horríveis pra caralho."
Não vou fazer um breve resumo por causa dos spoilers que, inevitavelmente, falarei se assim o fizer. Basta dizer que a sinopse é bem explicativa e através dela, o leitor já tem uma ideia do que esperar.
King consegue conciliar o enredo juntando partes dos livros anteriores e dando novas descobertas e um novo seguimento para o último volume ser memorável.
Brady está de volta e dessa vez pode criar o caos sem precisar sair da sua cama no hospital. Toda a maldade antes vista em Mr. Mercedes está duplicada em Brady neste volume. Ele quer vingança, e não somente de Bill, que ele culpa por ter "fodido" a vida dele; ele quer vingança pela cidade toda!
"Ele só matou oito pessoas no City Center (sem contar os feridos, alguns bem sérios), mas poderia ter matado milhares naquele show de rock. Ele seria lembrado para sempre. Mas, anes que pudesse apertar o botão que dispararia as bilhas em uma explosão mortal, mutilando e decapitando centenas de pré-adolescentes escandalosas (sem mencionar as mães gordas e indulgentes), alguém apagou as luzes na cabeça dele."
Bill continua o mesmo, mas neste volume, além de ter que lidar com Brady, ele também terá que lidar com outro vilão que chegou de mansinho e agora esta tomando conta de seu corpo. Bill está prestes a completar 70 anos, não é mais um garotão, mas não perde as esperanças de conseguir conter Brady e salvar todos que ele ama.
A trama compilada por King é verossímil em diversas partes. O assunto que toma a vez neste volume é o suicídio, e tem até uma nota do autor sobre ele ao final do livro. King trata do assunto com força e fragilidade, não dando espaço para sentirmos pena, mas para querer ajudar quem precisa. Também vamos saber mais sobre hipnotismo e como isso nos afeta.
Outra coisa que gostei muito durante a leitura da série é que o autor não escolheu uma idade ideal ou gênero específico para seus personagens. Eles são reais demais para serem somente de mentira. Podemos vê-los em qualquer pessoa.
"- É - diz Hodges. - Mas, com ou sem as mídias sociais, com Brady ou sem ele, o suicídio é um fato da vida. (...)
E o pensamento que ocorre a ele é complicado demais, carregado demais com uma mistura de raiva e dor para que seja articulado. É sobre a forma como algumas pessoas jogam fora o que outros venderiam a alma para ter: um corpo saudável e sem dor. E por quê? Porque estão cegos demais, traumatizados demais ou voltados demais para si mesmos para ver além da curva escura da Terra até o próximo nascer do sol. É só continuar respirando."
O toque sobrenatural que é marca registrada do autor, está impresso neste livro junto com suas palavras. O horror que faz as folhas sangrarem está mais intenso e cada capítulo nos trás uma vontade maior de nunca parar de lê-lo. Sentirei saudades desses personagens incríveis e suas aventuras.
A capa, diferentemente das anteriores, possui mais cor e impacto. Peixes boiando em um rio de sangue??? Nojento neh? Mas assim que vocês começarem a ler, entenderão o porque!
Como nos demais livros, a narrativa continua em terceira pessoa, abrangendo todos os personagens principais para a trama e alguns outros secundários que fazem uma pequena "participação especial". A diagramação é simples, mas bem feita, sem erros aparentes; letras em tamanho confortável para a leitura e espaçamento adequado finalizam esse belíssimo exemplar.
"Uma última coisa: Último turno é um livro de ficção, mas a alta taxa de suicídio, tanto nos Estados Unidos quanto em muitos outros países onde meus livros são lidos é real. O número da Prevenção Nacional de Suicídio que aparece neste livro também é real. Se você estiver se sentindo um cocô (como Holly Gibney diria), ligue para eles. Porque as coisas podem melhorar, e, se você der uma chance, Normalmente melhoram." Stephen King
Finalizo minha resenha dizendo que, dentro todos os livros que já li do autor, a Trilogia Bill Hodges sempre terá um lugar especial na minha vida e na minha estante. Se indico? Claro que sim!!! 😍



Resenha dos livros anteriores:

- Mr. Mercedes
- Achados e Perdidos


Avaliação: 



Sobre o autor: 




Stephen King era um leitor fanático dos quadrinhos EC's horror comics incluindo Tales from the crypt, que estimulou seu amor pelo terror. Na escola, ele escrevia histórias baseadas nos filmes que assistia e as copiava com a ajuda de seu irmão David. King as vendia aos amigos, mas seus professores desaprovaram e o forçaram a parar.
De 1966 a 1971, Stephen estudou Inglês na Universidade do Maine em Orono, onde ele escrevia uma coluna intitulada "King's Garbage Truck" para o jornal estudantil, o Maine Campus. Ele conheceu Tabitha Spruce lá e se casaram em 1971. O período que passou no campus influenciou muito em suas histórias, e os trabalhos que ele aceitava para poder pagar pelos seus estudos inspiraram histórias como "The Mangler" e o romance "Roadwork" (como Richard Bachman).