Resenha: Achados e Perdidos (Trilogia Bill Hodges #2) - Stephen King

15 novembro 2016


Edição: 1
Editora: Suma de Letras
ISBN: 9788556510075
Ano: 2016
Páginas: 352
Tradutor: Regiane Winarski


Livro cedido em parceria com a editora
Sinopse: “— Acorde, gênio.”
Assim King começa a história de Morris Bellamy. O gênio é John Rothstein, um autor consagrado que há muito abandonou o mundo literário. Bellamy é seu maior fã e seu maior crítico. Inconformado com o fim que o autor deu a seu personagem favorito, ele invade a casa de Rothstein e rouba os cadernos com produções inéditas do escritor, antes de matá-lo. Morris esconde os cadernos pouco antes de ser preso por outro crime. Décadas depois, é Peter Saubers, um garoto de treze anos, quem encontra o tesouro enterrado. Quando Morris é solto da prisão, depois de trinta e cinco anos, toda a família Saubers fica em perigo. Cabe ao ex-detetive Bill Hodges e a seus ajudantes, Holly e Jerome, protegê-los de um assassino agora ainda mais perigoso e vingativo.


Vocês sabem o quanto eu amo Stephen King certo? Pois bem, depois de ler Mr. Mercedes, fiquei mega curiosa para dar continuidade a trilogia e, assim que pude, comecei a ler Achados e Perdidos.
Neste volume, Vamos conhecer Morris Bellamy, um cara fascinado pela trilogia Jimmy Gold escrita por Rothstein. Morris não fica feliz com o último livro, acha que o autor "vendeu" o personagem e quer vingança. Sendo assim, Morris planeja tudo nos mínimos detalhes e consegue o que quer. Mas, logo em seguida, é preso por outro crime e passa 35 anos mofando na cadeia, alimentando a esperança de que quando sair dali, poderá enfim, ler os cadernos de seu escritor favorito e quem sabe, encontrar mais algumas páginas sobre Jimmy Gold.
"- Você não precisava matá-lo. Não devia ter matado. Não estava no plane. Por que você fez isso?
Porque ele me fez sentir burro. Porque xingou minha mãe, e só eu posso fazer isso. Porque me chamou de garoto. Porque precisava ser punido por transformar Jimmy Gold m um deles. E, principalmente, porque ninguém com esse tipo de talento tem o direito de escondê-lo do mundo."
Alguns anos depois, Peter Saubers e sua família se mudam para a antiga casa de Morris. O pai de Peter foi um dos sobreviventes do Mr, Mercedes e isso acabou a com a vida da família. Sua mãe é a única que pode trabalhar, as brigas entre o casal é constante e Peter quer ajudar, mas não sabe como. Até que ele encontra um baú contendo alguns milhares de dólares e cadernos Moleskines. Peter não sabe quem colocou o baú ali, não sabe de quem é o dinheiro nem os cadernos. O que sabe é que o baú está ali a muito tempo. Então, Peter faz o que qualquer outra pessoa faria em seu lugar: usa o dinheiro para ajudar os pais a passar pela crise.
O que Peter não imaginava é que Morris sairia da cadeia e iria procurar pelos cadernos. Não, o dinheiro não interessa a Morris, ele quer os cadernos. A partir de então, a família Saubers passa a correr perigo de vida.
A literatura de Rothstein mudou a vida de Morris, mas também despertou o seu pior lado.
Partindo dessa premissa, vamos acompanhar a trajetória dos personagens até os dias atuais onde Bill, Holly e Jerome nos esperam para mais uma aventura.
Ouso dizer que, algumas continuações não conseguem seguir o parâmetro do primeiro livro e as vezes, acabam sendo insatisfatórias. Mas esse volume foi tão bom quanto o primeiro!
King não conta uma história, ele faz parecer real, nos deixa afoitos e curiosos a cada página. Conta como cada personagem chegou onde está sem ser monótono ou repetitivo. O leitor realmente fica interessado na história e quer saber onde aquilo tudo vai dar.
"Para os leitores, uma das descobertas mais eletrizantes da vida era a de que eles eram leitores, não apenas capazes de ler (o que Morris já sabia), mas apaixonados pelo ato. Desesperadamente. Incorrigivelmente. O primeiro livro a fazer isso nunca era esquecido, e cada página parecia trazer uma nova revelação, que queimava e exaltava: Sim! É assim! Sim! Eu também vi isso! E, claro: É o que eu acho! É o que eu SINTO!"
Sem falar na capacidade do autor de criar personagens psicóticos e malvados. Primeiro com Brady que amei odiar - e já deixo uma dica: ele volta gente! Último Turno já está aqui em casa e vou começar a lê-lo hoje ainda! - e agora Morris. São personagens que não imaginamos que podem se tornar os vilões que se tornam. King trás horror, medo e paranoia para dentro de nossas mentes e, não sei vocês, mas eu fico fascinada por uma pessoa conseguir entender o ser humano tão bem quanto ele!
Outra coisa que tenho que comentar: as descrições do autor, principalmente dos assassinatos, são insanas! O leitor consegue vislumbrar a cena, independente de onde esteja. King não tem medo de mostrar sangue, cartilagem, ossos, seja o que for. Ele mostra e é maravilhoso! (Sim, sou doente >.<)
Achados e Perdidos é uma obra que merece ser degustada, não lida rapidamente. O enredo é marcante e cheio de pormenores que nos instigam a continuar a leitura. A narrativa do autor é gostosa, seus personagens, memoráveis. Bill é um dos personagens que mais gosto. Neste volume e está mais fitness. Mas não perdeu seu encanto, continua sendo o Detetive Aposentado que se mete em uma confusão atrás da outra. Holly ainda tem das suas paranoias, mas cresceu muito neste volume e é uma das peças mais importantes. Infelizmente, Jerome se apagou um pouco, mas consigo entender o ponto onde o autor quis chegar: Jerome é jovem, está na faculdade. Mesmo sendo amigo e parceiro de Bill e Holly, ele tem outras preocupações mais sérias para se envolver.
Vale a pena conhecer essa trilogia e se apaixonar por mais esse sucesso.
Peguei essa imagem acima porque o comentário dela explica exatamente o que senti durante a leitura. - Calma autores que tanto amo, não vou dar uma de Morris não ta? mas... fica a dica! kkkk #brincadeira. - O que é ser um fã? O que é ser fanático?
Eu me identifiquei em Morris em alguns momentos. Sabe aquela raiva que vc sente quando aquele livro perfeito não tem o final que vc tanto queria??? Poie é... Aposto que muitos leitores vão se identificar com Morris, mas só alguns são tão fanáticos quanto ele.
"- Ela parece gata, Brady. Ela era gata? Era uma mamãe gostosona?
Nenhuma resposta.
- Só pergunto porque, quando invadimos seu computados, encontramos umas fotos sensuais dela. Você sabe, de camisolinha, meias de náilon, sutiã e calcinha, esse tipo de coisa. Achei ela gata vestida daquele jeito. Os outros policiais também, quando mostrei as fotos para eles.
Embora ele conte a mentira com a ousadia de sempre, ainda não há reação. Nada.
- Você trepou com ela, Brady? Aposto que queria.
Houve um leve tremor de sobrancelha? Um leve movimento de lábio?
Talvez, mas Hodges sabe que pode ser sua imaginação, porque ele quer que Brady o escute. Ninguém nos Estados Unidos merece mais sal esfregado nas feridas do que aquele filho da puta assassino."
Como no livro anterior, a narrativa é em terceira pessoa e abrange os personagens principais do livro: Morris, Peter e Bill. A edição está maravilhosa, simples, mas bem feita, sem erros aparentes. A capa também chama a atenção e condiz com o enredo do livro.
Não tenho o que reclamar, só tenho elogios! E claro, tenho que indicar neh? rsrsrsrs Então, leiam a Trilogia Bill Hodges. Tenho certeza que vocês não vão se arrepender! ;)



Acompanha as resenhas da Trilogia Bill Hodges:

- Mr. Mercedes - Livro 1
- Achados e Perdidos - Livro 2



Avaliação:



Sobre o autor: 


Stephen King era um leitor fanático dos quadrinhos EC's horror comics incluindo Tales from the crypt, que estimulou seu amor pelo terror. Na escola, ele escrevia histórias baseadas nos filmes que assistia e as copiava com a ajuda de seu irmão David. King as vendia aos amigos, mas seus professores desaprovaram e o forçaram a parar.
De 1966 a 1971, Stephen estudou Inglês na Universidade do Maine em Orono, onde ele escrevia uma coluna intitulada "King's Garbage Truck" para o jornal estudantil, o Maine Campus. Ele conheceu Tabitha Spruce lá e se casaram em 1971. O período que passou no campus influenciou muito em suas histórias, e os trabalhos que ele aceitava para poder pagar pelos seus estudos inspiraram histórias como "The Mangler" e o romance "Roadwork" (como Richard Bachman).