Resenha: A Menina Submersa: Memórias - Caitlín R. Kiernan

03 outubro 2016


Edição: 1
Editora: DarkSide® Books
ISBN: 9788566636253
Ano: 2014
Páginas: 320
Tradutor: Carolina Caires Coelho, Ana Resende
Sinopse: A Menina Submersa é um verdadeiro conto de fadas, uma história de fantasmas habitada por licantropos e sereias. Mas antes de tudo uma grande história de amor construída como um quebra-cabeça pós-moderno, uma viagem através do labirinto de uma crescente doença mental. Um romance repleto de beleza e horror, camadas, mitos e mistério em um fluxo de arquétipos que desafiam a primazia do "real" sobre o "verdadeiro" e resultam em uma das mais poderosas fantasias dark dos últimos anos. Considerado uma obra-prima do terror da nova geração, o romance é repleto de elementos de realismo mágico e foi indicado a mais de cinco prêmios de literatura fantástica, e vencedor do importante Bram Stoker Awards (2013). A autora se aproxima de grandes nomes como Edgar Allan Poe e H. P. Lovecraft, que enxergaram o terror em um universo simples e trivial - na rua ao lado ou nas plácidas águas escuras do rio que passa perto de casa -, e sabem que o medo real nos habita. O romance evoca também as obras de Lewis Carrol, Emily Dickinson e a Ofélia, de Hamlet, clássica peça de Shakespeare, além de referências diretas a artistas mulheres que deram um fim trágico à sua existência, como a escritora Virginia Woolf.





Quando comecei a ler este livro, eu esperava mais. Esperava uma história que me prendesse e que me fizesse desejar continuar lendo-o, mas o que encontrei foi uma história enfadonha, controversa e com uma protagonista que me deixou com muita raiva do início ao fim do livro.
"Uma coisa que comecei a entender sobre as verdadeiras histórias de fantasmas é que raramento sabemos que elas estão acontecendo conosco até depois do fato, quando somos assombrados e os eventos da história propriamente dita já aconteceram e acabaram."
Em A Menina Submersa, vamos conhecer India Morgan Phelps, a Imp. Imp sofre de esquizofrenia como sua avó e sua mãe já falecidas. Imp é uma garota aparentemente normal: tem seu trabalho, seu apartamento, se consulta regularmente com sua psiquiatra e toma seus remédios nas horas certas. Imp adora pintar, é seu refúgio. Seguindo o conselho de sua mãe, Imp resolve passar para o papel suas memórias. Tudo o que aconteceu com ela depois de conhecer Eva Canning. Mas as memórias de Imp não são coerentes e por diversas vezes ela divaga em sua narrativa, o que fez minha leitura ser nada mais, nada menos que improdutiva.
Este é o primeiro livro do gênero que me arrisco a ler. Gostei muito da sinopse e ao começar minha leitura, até imaginei que iria gostar do enredo como um todo. É um livro de um livro. Imp está escrevendo sua história e ela conversa com ela mesma e, de vez em quando, com o leitor também. Isso poderia ser um trunfo para manter a leitura fluída, mas Imp é esquizofrênica e, para mim, a leitura ficou enfadonha a partir do momento em que a autora deixou a doença da protagonista falar mais alto que suas memórias.
"Queria ser escritora, escritora de verdade, pois, se eu fosse, imagino que não estaria fazendo uma confusão tão feia com essa história. Me perdendo, tropeçando nos meus pés. Queria ser lúcida o suficiente para sempre distinguir fato de imaginação, (...)"
Nunca li nada dos autores citados na contra capa - Poe e Lovecraft - apesar de conhece-los por seus nomes. Mesmo assim, se a leitura de seus livros for tão monótona quanto este, prefiro me abster de lê-los e poupar muito sofrimento de minha parte. Infelizmente, A Menina Submersa não me agradou como eu queria que houvesse agradado. Mas, devo mencionar que a escrita da autora é boa sim, gostei de conhecer o trabalho dela e espero que eu consiga ler mais algumas obras da mesma.
A narrativa é em primeira pessoa, pelo ponto de vista de Imp. O que deveria ser bom, pois gosto muito de narrativas assim, mas acabou tornando um mar de acontecimentos sem nexo e as vezes confusos. Imp é uma boa personagem, gostei muito dela, mas sua mente não pára, ela se confunde, mistura, mente para si mesma. Mesmo com todas as suas imperfeições, Imp é inteligente e tem bom coração. Gostei muito de conhecê-la, mesmo que eu não tenha apreciado suas memórias.
""Pare", datilografou Imp, tocando as teclas com apenas um pouco mais de força, de tal modo que a tecla "o" perfurou minúsculos orifícios no papel. "Esta não é a história de fantasmas de lobos. É a história de fantasmas de sereias. Não misture as histórias.
Não misture as histórias.
É como tentar manter o dia e a noite separados sem o crepúsculo ou o amanhecer entre eles. Eu poderia muito bem tentar. E teria o mesmo sucesso."
A capa é linda, foi o que mais me chamou a atenção no livro, confesso. A edição está muito bonita também, com ilustrações, detalhes nos capítulos e boa diagramação. Encontrei alguns erros de revisão, coisa pouca, em sua maioria, palavras sem espaço.
Do mais, não indicaria essa leitura para quem, como eu, nunca tenha lido nada tão profundo. É uma leitura concisa, truculenta e doentia. Mas se você está aberto a novas experiências, aproveite e comece por este livro!


Avaliação:


Sobre a autora:



Caitlín R. Kiernan (1964) é autora de livros de ficção científica e fantasia dark, e paleontóloga. Escreveu dez romances, dezenas de histórias em quadrinhos e mais de 200 contos e novelas. Entre seus trabalhos, destacam-se os romances Silk (1998), Threshold (2001), ambos vencedores do International Horror Guild Award, e The Red Tree (2009); a série em quadrinhos The Dreaming, spin-off de Sandman, de Neil Gaiman, com quem também escreveu a novelização de Beowulf (2007). A Menina Submersa: Memórias conquistou os Prêmios Bram Stoker e James Tiptree, Jr., este dedicado a obras de ficção científica ou de fantasia que expandem e exploram a compreensão de gênero.