Resenha: O Coração da Esfinge - Colleen Houck

23 setembro 2016

Edição: 1
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580416060
Autor: Colleen Houck
Serie: Deuses do Egito – Livro 2
Titulo original: Recreated
Ano: 2016
Páginas: 368
Tradutor: Alves Calado
Adicione ao "Skoob"

Sinopse:
Lily Young achou que viajar pelo mundo com um príncipe egípcio tinha sido sua maior aventura. Mas a grande jornada de sua vida ainda está para começar.
Depois que Amon e Lily se separaram de maneira trágica, ele se transportou para o mundo dos mortos – aquilo que os mortais chamam de inferno. Atormentado pela perda de seu grande e único amor, ele prefere viver em agonia a recorrer à energia vital dela mais uma vez.
Arrasada, Lily vai se refugiar na fazenda da avó. Mesmo em outra dimensão, ela ainda consegue sentir a dor de Amon, e nunca deixa de sonhar com o sofrimento infinito de seu amado. Isso porque, antes de partir, Amon deu uma coisa muito especial a ela: um amuleto que os conecta, mesmo em mundos opostos.
Com a ajuda do deus da mumificação, Lily vai descobrir que deve usar esse objeto para libertar o príncipe egípcio e salvar seus reinos da escuridão e do caos. Resta saber se ela estará pronta para fazer o que for preciso.
Nesta sequência de O Despertar do Príncipe, o lado mais sombrio e secreto da mitologia egípcia é explorado com um romance apaixonante, cenas de tirar o fôlego e reviravoltas assombrosas.


"O Coração da Esfinge" é o segundo volume da serie "Os Deuses do Egito" precedido por "O Despertar do Príncipe". Para ler a resenha do livro anterior é só clicar no nome.


Resenha:
“Às vezes a única saída é seguir em frente. O caminho nem sempre é claro, mas seu instinto vai guiar você.”
Se você esta lendo essa resenha é porque não se importa com spoilers do livro anterior ou já o leu, então, vamos fazer uma recapitulação dos fatos.

Lily se apaixonou por Amon, um príncipe egípcio com milhares de anos e que ressuscita, junto com os irmãos, em determinados períodos de tempo para evitar que o caos se instale na terra, impedindo  que Seth seja libertado de sua prisão cósmica.
 O sarcófago de Amon acabou em uma exposição num museu em Nova York, e foi lá que conheceu Lily. Sem seus vazios canópicos, ele acaba ligado a garota e juntos partem para uma aventura eletrizante. Quando tudo esta terminado, Amon é obrigado por Anubis, o deus dos mortos, a voltar para o paraíso e esperar o próximo momento de descer para a terra. Mas é ai que o problema começa, é neste exato ponto que “O Coração da Esfinge” inicia.
Amon foi obrigado a deixar Lily e seguir seus irmãos para o paraíso, mas pela primeira vez em todos os milhares de anos em que cumpre sua função designada pelos deuses, ele não está feliz com isso, seu coração esta com Liliana Young.
Indignado com a situação, Amon abandona o paraíso e começa a vagar pela terra dos mortos, enfrentando todo o tipo de monstros que tentam o matar, uma morte definitiva desta vez.
Mas o que ele não imaginava é que o vinculo desenvolvido entre ele e Lily quando estava na terra fosse forte o bastante e que sobreviveria até mesmo a sua morte.
Agora Lily sente todas as dores e angustias de seu amado que esta vagando sozinho. E a coisa só piora quando Anúbis faz uma visita a Lily e revela que a escolha de Amon colocou todo o universo em risco. Sem  Amon, Asten e Ahmose não são fortes o suficiente para evitar o retorno de Seth e o caos. Mas Amon não sabe disso, e somente Lily tem um elo com ele suficientemente forte para permitir que seja localizado no além.
E é assim que Lily parte em mais uma aventura, desta vez para o mundo dos mortos, para salvar seu grande amor e o mundo.
“A verdade era que, enquanto Lily fosse dona do seu coração, ele lutaria. Tinha uma obrigação para com ela; se Lily queria que ele fosse em frente, ele daria um jeito.”
Como vocês bem sabem, já que devem ter lido a resenha do livro anterior, eu amei “O Despertar do Principe” de todo o coração, eu ri e chorei feito uma louca durante a leitura, e esperar mais de um ano para ter a continuação não ajudou muito para apaziguar a minha ansiedade. Quando “O Coração da Esfinge” finalmente chegou eu larguei uma leitura no meio para me joguei nele. Só não sei se foi culpa da minha alta expectativa, mas o livro me deixou bem decepcionada, por diversos motivos.

Neste volume vamos ter uma participação maior dos deus, diversos deles tem um papel bastante importante na jornada de Lily. O que é ótimo. Mas em contra ponto, nossos personagens, os já conhecidos, ou são apagados ou distorcidos ao ponto de se tornaram quase irreconhecíveis.
Lily perdeu todas as suas principais características, a garota determinada e dona de sí que quase morreu para salvar o mundo, se torna uma pessoa chata e irritante, e o pior de tudo, totalmente insegura, questionando ate mesmo seus sentimentos por Amon.
 Durante a jornada ate o mundo dos mortos ela vai se sentir “atraída” por diversos homens diferente. Com o perdão da palavra: ela se assemelhava a um animal no cio. Qualquer um do sexo oposto era um alvo em potencial.  Ela se tornou tão chata, mas tão chata que da vontade de largar a leitura só para colocar fim no tormento que é estar “dentro” da cabeça de alguém extremamente indeciso e volúvel. Ela largou tudo pelo dito amor de sua vida, mas na metade do caminho isso é completamente esquecido e vemos o inicio do entediante e massante triangulo amoroso(esta mais para um octógono amoroso, se levar em consideração as varias “pontas”).
“O verdadeiro amor precisa de tempo. Não é instantâneo. Você precisa conhecer a outra pessoa. Admira-la. Descobrir o que ela sonha, o que ela espera, e ver se essas coisas ecoam em seu coração. Só então o amor vai começar. E você vai saber que é verdade quando lhe pedirem que abra mão de alguma coisa para proteger quem você ama.”
Essa autora não se contenta em apenas criar um triangulo amoroso, o que por sí só já é bizarro, ela parece acreditar que irmãos disputando a mesmo mulher é algo legal.

Em suma, se você leu a serie dos tigres, pode ter uma boa ideia do que acontece em “Os Deuses do Egito”, a base da trama é basicamente a mesma. A menina se apaixona pelo mocinho, algo acontece com ele e ela precisa partir em um missão de resgate com o irmão dele (no caso aqui, são irmãos, no plural) e acaba questionando seus sentimentos no meio do caminho.
Desculpa se isso é um spoiler, mas é um fato, eu precisava falar sobre isso, é o elefante no meio da sala. Apesar de que vamos ter uma revelação ao final, algo que ameniza o choque .

Enfim,  me senti um tanto enganada pela autora. Tudo saiu de maravilhoso e perfeito para degringolar de forma vertiginosa. Sinceramente, a leitura acabou pra mim na metade do livro, terminei só por curiosidade, ou masoquismo, ainda não decidi.  E meu personagem preferido quase não aparece, para o meu desespero. #teamAmon
Este volume foi mais sombrio, por assim dizer. Contudo a escrita da autora continua ótima, ela possui uma capacidade de descrever lugares tão detalhadamente que faz com que o leitor realmente viaje para onde ela descreve. Me senti no Egito.  Mas a leitura não flui tão fácil quanto a do livro anterior, infelizmente, em alguns momentos tudo fica arrastado e enfadonho. O livro é clichê, apesar da introdução da mitologia e magia.

Mas vamos falar do livro físico, que é maravilhoso. A capa é maravilhosa, assim como a do livro anterior e também de toda a serie do tigre,  ela é metalizada com alguns detalhes em relevo. A diagramação também esta bem bonita, cada capitulo possui um título escrito com uma fonte temática e em alguns alugares temos pequenas esfinges impressas. A revisão também esta muito boa, eu não encontrei nenhum erro de revisão, as paginas são amareladas e a fonte é agradável para a leitura.

Bem, é uma serie que eu realmente recomendo, apesar dos pesares. Como eu disse acima, eu devo ser meio masoquista, pois apesar de ter quase jogado o livro pela janela, me enfurecido e sofrido horrores por ter que aturar a Lily, aqui estou, contando os dias para “ A Coroa da Vingança”.
“Como você vai entender 'acima' se não houver 'abaixo'? Ou compreender o amor sem o ódio?”
Sobre o autor:


Colleen Houck é antes de tudo uma leitora. Ela adora ação, aventura, ficção científica e romance, e seus livros favoritos incluem um pouco de cada um. Depois de obter um grau de associado da faculdade de Rick e transferir para a Universidade do Arizona, ela abandonou a escola para ir para a missão da igreja onde ela conheceu o marido. Colleen tem vivido no Arizona, Idaho, Utah, Califórnia e Carolina do Norte e agora está definitivamente resolvida em Salem, Oregon, com seu marido e seu gigante tigre branco de pelúcia.