Resenha: No Seu Olhar - Nicholas Sparks

20 julho 2016


Edição: 1
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580415445
Ano: 2016
Páginas: 432
Tradutor: Alves Calado


Livro cedido em parceria com a editora
Sinopse: Filha de imigrantes mexicanos, Maria Sanchez é uma advogada inteligente, bonita e bem-sucedida que aprendeu cedo o valor do trabalho duro e de uma rotina regrada. Porém um trauma a faz questionar tudo em que acreditava e voltar para sua cidade natal, a pequena Wilmington.
A cidade também é o lugar que Colin Hancock escolheu para se dar uma segunda chance. Apesar de jovem, ele sofreu mais violência e abandono do que a maioria das pessoas. Também cometeu sua parcela de erro e magoou mais gente do que gostaria. Agora está determinado a mudar de vida, tornar-se professor e dar às crianças o carinho e a atenção que ele próprio não teve.
Colin e Maria não foram feitos um para o outro, mas um encontro casual durante uma tempestade mudará o rumo de suas histórias. Ao confrontar as diferenças entre os dois, eles questionarão as próprias convicções. E ao enxergar além das aparências, redescobrirão a capacidade de amar.
Porém, nessa frágil busca por um recomeço, o relacionamento deles é ameaçado por uma série de incidentes suspeitos que reaviva antigos sofrimentos. E quando um perigo real começa a se impor, Colin e Maria precisam lutar para que o amor sobreviva.
Com uma trama madura e repleta de emoções e de suspense, No Seu Olhar mostra que o amor às vezes é forjado em crises que ameaçam nos destruir e que o primeiro passo para a felicidade é acreditar em quem podemos ser.


Mais uma vez, sinto-me completa ao terminar um livro de Nicholas Sparks. E espera! Eu sei que sempre digo isso em todas as minhas resenhas de livros do autor, mas é impossível não se identificar com suas histórias e sentir, nem que seja um pouquinho, de amor por seus personagens.
Com este livro, não foi diferente... No Seu Olhar me deixou completamente apaixonada e cheia sorrisos bobos depois de finalizada minha leitura.
"Sentiu-se empolgado ao pensar no fim de semana, sabendo que podia ser uma das últimas vezes que a família estaria reunida com algum resquício de normalidade. Queria ver como reagiriam antes que a tensão infectasse a família doce e feliz... antes que o medo tomasse conta. Antes que a vida de todos começasse lentamente - e depois furiosamente - a ser arruinada.
Afinal de contas, ele havia chegado com um objetivo, e esse objetivo tinha um nome.
Vingança."
Neste livro vamos conhecer Maria e Colin. Maria, é filha de imigrantes mexicanos, cresceu em uma família unida e muito amorosa. Formou-se advogada, é bonita, inteligente e bem-sucedida, mas depois de sofrer um trauma, revê seus conceitos e volta para a cidade de Wilmington, onde consegue emprego em uma firma e passa seu tempo trabalhando, visitando sua família e praticando stans-up paddle.
Colin é um cara na dele. Cresceu em uma família que não lhe deu muito amor nem atenção. Apesar de saber que seus pais sempre o amaram, Colin teve sua cota de rebeldia, brigas e prisões. Resolveu deixar o passado para trás e com a ajuda de seu amigo Evan, começou a fazer faculdade e para amenizar sua raiva, treina muito e participa de lutas de MMA para descarregar suas energias. Hoje em dia, Colin pode se considerar um cara de bem e muito sincero, mas nem sempre foi assim: Colin tem problemas com a sua raiva que sempre rompia nos piores momentos, e isso lhe deixou com marcas tanto fisicamente quanto internamente.

Duas pessoas completamente diferentes que se encontram, ao acaso, em uma noite de tempestade e acabam criando preconceitos pelos motivos errados... duas pessoas que passam a se conhecer graças a intervenção de Serena, irmã de Maria, e dali em diante, um sentimento nasce, fazendo-os questionarem a si mesmos se algo tão incomum poderia tornar-se real em qualquer momento...

Que livro! Acho que essa exclamação é típica de todos os leitores que gostam dos livros do autor. Já li diversos livros do Nicholas e confesso que esse, por ter uma trama mais complexa e cheia de suspense, me ganhou da primeira a última página.
Sim! O autor consegue se superar (se é que isso é possível) e cria uma trama intricada, cheia de reviras voltas, com ação, romance e suspense na medida certa que deixará o leitor ávido por mais.
"Sentiu os ombros caírem. Por que tinha de ser uma mulher em dificuldade? E por que - como tudo indicava - uma garota de sua turma? Ele não podia fingir que não tinha notado que ela precisava de ajuda. Realmente não precisava disso agora, mas que opção havia?"
A história de Maria e Colin é linda e parte do começo mesmo, onde eles se conhecem, sentem atração um pelo outro e no decorrer das páginas, vão se conhecendo e passando a entender um ao outro. O romance não nasce do simples fato de eles se olharem; Maria tem reservas quanto a Colin logo de princípio, pois ele é o tipo de cara que ela está acostumada a processar. Colin não consegue entender como uma mulher como Maria poderia, em algum momento, se interessar por um homem como ele.
A diferença entre os dois é marcante e por muitas vezes, achei que esse romance não iria para a frente, mas em se tratando de Nicholas Sparks, podemos esperar qualquer coisa e isso foi um dos motivos que me fez colocar esse livro no patamar de melhores do autor que já li.

Outro motivo para minha predileção por este livro, é o fato de que o autor foge da sua zona de conforto e cria um romance sensível que nos leva a uma montanha russa de emoções. Não bastasse isso, também adiciona ao seu repertório a adrenalina de um thriller policial, com um psicopata pronto para matar ou morrer.
Confesso que até agora, ao escrever essa resenha, me sinto arrepiada com os acontecimentos marcantes do livro. A trama é cheia de suspense, fazendo o leitor investigar junto com os personagens, todas as provas e ficar remoendo todas as perguntas que não são respondidas.
"- Você é um homem interessante, Colin.
- Tem sido uma vida interessante - admitiu ele. - Mas você também é interessante.
- Acredite, sou a pessoa menos interessante do mundo.
- Talvez. Talvez não. Mas você ainda não fugiu de mim.
- Ainda posso fugir. Você é meio amedrontador.
- Não, não sou.
- Para uma mulher como eu? Acredite, você dá certo medo. Provavelmente é a primeira vez que me encontro à noite com um cara que fala que pisava na cabeça de pessoas em brigas de bar ou que prendeu o pai contra a parede.
- Ou que foi preso. Ou que esteve numa instituição psiquiátrica...
- Essas coisas também.
- E?
Ela afastou algumas mechas de cabelo soprado pelo vento.
- Ainda estou decidindo. Neste momento não faço ideia do que pensar sobre tudo o que você falou. Mas, se eu sair correndo de repente, não tente me alcançar, certo?
- É justo."
Como em todos os livros do autor, temos personagens bem construídos com uma carga emocional bem trabalhada e definida. Maria sofre de síndrome do pânico e Colin tem transtorno de raiva e TDAH. O autor trabalha os sentimentos deles de forma única e bem sensitiva, o que deixa o leitor com a sensação de conhecê-los profundamente.
Não sou fã de romances melosos, e acho que é por isso que admiro tanto o autor: Seus romances são balanceados e com uma história única por trás de cada um deles.
A capa é linda e, quando a editora Arqueiro abriu uma votação para a escolha da capa, eu confesso que havia votado nessa e fiquei mega feliz quando ela ganhou. É simples e trás todo o charme do enredo para a frente do livro, fazendo-nos ficar horas olhando-a sem se cansar. Também aprecio o toque aveludado que ela possui e o verniz localizado no nome do autor e no título do livro.
Sobre a diagramação: Perfeita! Não tenho o que reclamar dos livros da Arqueiro, são sempre muito bem feitos e tem aquele diferencial que é perceptível para agregar mais valor a trama.
A narrativa é em terceira pessoa e acompanha os personagens principais - Maria e Colin. A cada capítulo, temos a visão de cada um sobre o que está acontecendo. Os diálogos são maravilhosos e inteligentes; mesmo com o jeito Colin de falar (ele tem uma queda por só responder "certo" para a maioria das perguntas), me pequei acreditando que todas as conversas aconteciam ao meu lado e eu podia visualizar os personagens interagindo entre si! Amo quando isso acontece, pois só livros bons o suficiente tem o poder de nos transportar para a história em questão.

Todos os personagens são maravilhosos! Desde a família de Maria que é agradável e muito unida, até os melhores amigos de Colin, Evan e Lily. São personagens secundários que merecem destaque pelo carinho e atenção que dedicam aos personagens principais e com isso, acabam fazendo o enredo ser leve, descontraído e muito intenso.
"Pela primeira vez em muito tempo pensou em ligar para os pais. Não sabia por quê, mas presumiu que tivesse a ver com o modo como Maria falava sobre os pais dela e como se davam bem. Imaginou como sua vida poderia ter sido diferente se ele fosse criado numa família como a dela. Apesar de estar satisfeito com seu rumo atual, até recentemente a estrada havia sido cheia de buracos e pedregulhos. O fato de Maria ser capas de enzergar além dessas coisas ainda o surpreendia."
Do mais, eu poderia ficar o dia todo aqui, falando para vocês o quanto este livro é ótimo e que merece uma chance, mas vou parar por aqui, antes que acabe contando mais do que eu deveria!
E, claro, dê uma chance para Colin e Maria, o amor enxerga além das aparências e cada pessoa no mundo, merece ler essa linda história!


Avaliação:



Sobre o autor:



Nicholas Sparks nasceu em 1965 em Omaha, Nebraska. Cresceu em Fair Oaks na Califórnia e vive actualmente na Carolina do Norte com a família. Foi durante algum tempo delegado de informação médica até que Theresa Park, agente literária, decidiu começar a representá-lo, vendendo os direitos do seu primeiro romance O Diário de uma Paixão (The Notebook) à Warner Books. O sucesso foi imediato e a obra permaneceu durante 56 semanas consecutivas nos tops americanos. Seguiram-se livros como As Palavras que Nunca te Direi (Message in a Bottle) e Um amor para recordar (A Walk to Remember), Corações em Silêncio (The Rescue) também eles sucessos editoriais de grandes proporções, tendo o primeiro sido adaptado para versão cinematográfica pelo próprio autor.