Resenha: Mr. Mercedes (Trilogia Bill Hodges # 1) - Stephen King

30 maio 2016


Edição: 1
Editora: Suma de Letras
ISBN: 9788556510020
Ano: 2016
Páginas: 400


Livro cedido em parceria com a editora
Sinopse: Nas frigidas madrugadas, em uma angustiante cidade do Centro-Oeste, centenas de pessoas desempregadas estão na fila para uma vaga numa feira de empregos. Sem qualquer aviso um motorista solitário irrompe no meio da multidão em um Mercedes roubado, atropelando os inocentes, dando ré e voltando a atropelá-los. Oito pessoas são mortas, quinze feridos.
Em outra parte da cidade, meses mais tarde, um policial aposentado chamado Bill Hodges é ainda assombrado por um crime sem solução. Quando ele recebe uma carta enlouquecida de alguém que se auto-identifica como privilegiado e ameaça um ataque ainda mais diabólico, Hodges acorda de sua deprimente e vaga aposentadoria, empenhado em evitar outra tragédia.
Brady Hartfield vive com sua mãe alcoólatra na casa onde ele nasceu. Ele adorou a sensação de morte sob as rodas da Mercedes, e ele quer aquela corrida de novo. Apenas Bill Hodges, com um par de aliados altamente improváveis, pode prender o assassino antes que ele ataque novamente. E eles não têm tempo a perder, porque na próxima missão de Brady, se for bem sucedido, vai matar ou mutilar milhares.
Mr. Mercedes é uma guerra entre o bem e o mau, do mestre do suspense, cuja visão sobre a mente deste obcecado assassino insano é arrepiante e inesquecível.





Ha! Como eu senti falta de ler algo do Mestre... Não foi a toa que, quando vi que passamos na parceria com a Companhia das Letras, sai pulando feito doida em casa, meu primeiro pensamento foi: "VOU LER OS LANÇAMENTOS DO KING!!!!" Sim, sou fã e tenho alguns exemplares dele aqui em casa, mas com a quantidade de livros que recebemos em parceria, fica difícil conciliar a leitura. 
Mr. Mercedes foi o primeiro que recebi em parceria, e gente! Que livro maravilhoso!

Mr. Mercedes é o primeiro livro da Trilogia Bill Hodges. Bill é um detetive que acaba de se aposentar e passa seus dias sentado em sua confortável poltrona, na frente da TV, brincando com seu .38. Mesmo com todos os casos resolvidos e com a grande festa de sua aposentadoria, Bill se sente sozinho: por causa do seu trabalho, (e tbm por causa da bebida, vamos ser sinceros) a esposa de Bill o deixou e sua filha foi junto com a ex mulher. Seu único amigo no momento é Jerome, o garoto que corta a grama sempre que Bill pede. 


Além do arrependimento de ter perdido a esposa, Bill guarda outros arrependimentos mais sérios, como por exemplo, o assassino do Mercedes que nunca conseguiu pegar. O cara foi esperto, fez tudo como mandava o figurino e nunca deixou nenhuma pista de quem era. Bill está pronto para se suicidar, mas recebe uma carta do assassino do Mercedes. 
"Hodges consome a merda televisiva durante todas as tardes da semana, sentado na poltrona com o revólver do pai (o que o pai usava quando era policial) na mesinha ao lado. Ele sempre o paga algumas vezes e olha dentro do cano. Inspeciona a escuridão redonda. Em duas ocasiões, o colocou entre os lábios só para ver qual era a sensação de ter um revólver carregado encostado na língua, apontado para o palato. Acostumando-se a ela, Hodges achava."
Logo no início do livro, acompanhamos as horas finais de algumas das pessoas que estão na fila para empregos onde o assassino ataca com o Mercedes. São momentos de angústia e sofrimento, típicos dos livros do autor. Logo depois, começamos a acompanhar Bill e sua mísera vida de aposentado.
Mas não obstante, o autor nos concede a honra de conhecer o assassino: Brady Hartfield é um psicopata maravilhosamente criado e descrito pelo autor. Viajamos na mente doentia de Brady e conhecemos seus segredos mais sórdidos; sentimos medo e insegurança com seus pensamentos obscenos, racistas e rancorosos. 


Bill não foi para mim, um dos melhores personagens do autor, mas confesso que, durante toda a leitura, me senti em sua pele e torci para que ele conseguisse seu intento. Bill vai contar com a ajuda de personagens secundários igualmente importantes para a trama, o que me fez gostar ainda mais do enredo. Não vou falar sobre eles, vocês terão que ler para descobrir.
"Seu último pensamento antes de apagar é a forma como a carta venenosa do Mr. Mercedes terminou. O Mr. Mercedes quer que ele cometa suicídio. Hodges se pergunta o que o homem acharia se descobrisse que acabou dando a esse ex-Cavaleiro do Distrito e das Armas em particular um motivo para viver. Ao menos por um tempo."
A narrativa é em terceira pessoa e acompanha, basicamente, a trajetória de Bill em sua busca pelo assassino que o vigia. Mas também acompanha Brady e alguns outros personagens que tem algum ponto em comum com o enredo. A capa é maravilhosa e condiz com o enredo apresentado, esse guarda-chuva azul era um mistério para mim até começar a ler o livro. A contra capa também está bem sugestiva, fica fácil deduzir como Brady consegue se camuflar. 


A escrita do autor é gostosa e sucinta, sem meias palavras e direto ao ponto. Stephen King consegue por no papel o que não conseguimos imaginar com uma mente sã. Brady é um dos personagens mais medonhos que já tive o prazer de conhecer, sofri com Bill, amaldiçoei Brady e torci por um final relativamente bom, mas, mais uma vez, o autor me conquista pelos rumos difusos em sua trama. 
"Brady sorri. É aquele sorriso beatífico de um homem perturbado que finalmente se vê em paz. Ele olha para o brilho amarelo da lâmpada, perguntando-se se viverá o bastante para vê-la ficar verde. Em seguida, olha para a pretinha, que está de pé, batendo palmas e balançando o rabo.
Olhe para mim, ele pensa. Olhe para mim Barbara. Quero ser a última coisa que você vai ver."
Preparem-se para o suspense arrebatador que este livro trás, vocês não conseguirão desgrudar das páginas! Não temos muita ação, são poucos os pontos altos do livro, mas toda o enredo foi tão bem elaborado que em momento nenhum a leitura ficou enfadonha. 
Do mais, indico com certeza esse volume. A edição está perfeita, com boa diagramação e sem erros aparentes. Parabéns a editora pelo capricho, nós leitores agradecemos o carinho.


Avaliação:



Sobre o autor:


Stephen King era um leitor fanático dos quadrinhos EC's horror comics incluindo Tales from the crypt, que estimulou seu amor pelo terror. Na escola, ele escrevia histórias baseadas nos filmes que assistia e as copiava com a ajuda de seu irmão David. King as vendia aos amigos, mas seus professores desaprovaram e o forçaram a parar.

De 1966 a 1971, Stephen estudou Inglês na Universidade do Maine em Orono, onde ele escrevia uma coluna intitulada "King's Garbage Truck" para o jornal estudantil, o Maine Campus. Ele conheceu Tabitha Spruce lá e se casaram em 1971. O período que passou no campus influenciou muito em suas histórias, e os trabalhos que ele aceitava para poder pagar pelos seus estudos inspiraram histórias como "The Mangler" e o romance "Roadwork" (como Richard Bachman).