Resenha: Talvez Nunca mais um País - Flavio P. Oliveira

22 setembro 2015


Edição: 1
Editora: Delirium
ISBN: 9788569423003
Ano: 2015
Páginas: 240

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Livro cedido em parceria com a editora
Sinopse: Talvez nunca mais um país, partidos políticos, eleições etc. Dois vírus criaram uma nova idade histórica, o primeiro consumiu as reservas de petróleo, o segundo deixou à beira da extinção a humanidade — gigantescas ratazanas devoram os corpos largados nas ruas. No setor 7, na famosíssima Copacabana, Miguel — ex-ráquer, atualmente colecionador e catalogador de objetos artísticos, um apaixonado por rock ‘n’ roll — envelhece (aceitando a sorte de ser um doador universal) sem ter muito o que fazer, além de caminhar na praia em companhia das porcas da senhora Borrêia e conversar com os pivetes na carcaça. Tudo isso mudará um dia, por culpa da inveja alheia, por culpa de uma nova vontade de ser melhor, algo não permitido pelo autoritário governo.

Resenha:

"Quando dois vírus alteram o mundo...
Dois vírus criaram esta nova idade histórica, o primeiro consumiu as reservas de petróleo, o segundo deixou à beira da extinção a humanidade."
Talvez Nunca mais um País é um romance distópico que veio para quebrar paradigmas. O que você pensaria se estivesse a ponto de morrer? O mundo está acabado, as cidades foram divididas por setor e entre os poucos humanos que restaram, vivem autômatos que são encarregados de fazer o trabalho que antes eram feitos por homens. Máquinas que possuem inteligência e outras nem tanto... o que era belo agora ficou somente na lembrança, uma doença acabou com a humanidade que está quase em extinção. Tudo mudou, ou não....


Este é meu primeiro contato com a obra do autor Flavio Oliveira e devo dizer que fiquei sem palavras para descrever o que senti durante minha leitura. O protagonista, Miguel, é um homem vivido, que conta como foi sua vida enquanto lembra de um amor quase surreal. Mesclando passado e presente, Flavio nos coloca na mente do protagonista, durante boa parte do livro, não me senti lendo um livro, mas sim ouvindo um grande amigo contar-me suas desventuras. Um bom livro faz isso com o leitor, nos coloca na pele do personagem, no enredo e nos deixa ávidos por sabe mais e sentir mais.
"Mariana, a elegância de uma criação divina... Deus criou o mundo em seis dias, no sétimo ( criou a guitarra) descansou; a partir do oitavo gastou milênios projetando Mariana, a perfeição repleta de mínimos e graciosos defeitos."
Eu adoro distopias, é um dos meus gêneros preferidos e como não poderia ser diferente, Talvez Nunca mais um País entrou para minha lista de melhores leituras do ano. Não por ser um nacional e o enredo se passar no Brasil (precisamente no Rio de Janeiro), mas pela forma única que o autor conseguiu me conquistar: com sua narrativa em primeira pessoa quase poética, um personagem forte, porém solitário e diferente de tudo que já li.
Uma história forte, com um "Q" de realidade, mas também simples e romântica no ponto certo. Uma leitura fluída e cheia de significados.


A capa faz jus ao enredo apresentado, muito bonita e sem sentido aparente. A diagramação é simples, mas bem feita; possui letras em tamanho confortável para a leitura e páginas amarelas. Não encontrei nenhum erro de revisão. Por ser o primeiro livro publicado pela editora Delirium, parabenizo a simplicidade e a perfeição com que foi feito.
"Na segunda vez, sete homens em estado terminal ultrapassaram o limite externo e vieram morrer do lado de cá. Não desmaiaram, apenas morreram, como se tivesses aguardando o memento exato da morte para morar no paraíso."
Sem mais, super indico a leitura. Vale a pena se aventurar por essas páginas e deixar a realidade se tornar algo que, talvez, nunca mais seja tão verdadeira.




Avaliação:


Sobre o autor:


Flavio P. Oliveira (Flavio Pereira de Oliveira), nasceu em Nilópolis, Rio de Janeiro, em oito de dezembro. Apesar da formação em engenharia civil, trabalhou diretamente com arquitetura por muitos anos, fazendo projetos de diferentes tipos e sendo responsável por algumas obras. É ainda artista plástico, dedicado à pintura, com estilo próprio que mescla cubismo com pop arte e algo mais. Ainda, durante um período, trabalhou no desenvolvimento, gerenciamento e manutenção de algumas distribuições GNU/Linux, como GoblinX e ImagineOS.
Os primeiros livros foram escritos na adolescência, todavia começou a levar mais a sério a carreira com os romances ainda não publicados, mas registrados. “Duelo”, que conta a história de dois ex-competidores de esgrima, adversários, que se apaixonam pela mesma mulher. “Máscaras, seios e morte”, que conta a história de um detetive tentando resolver alguns crimes contra mulheres. Tornou-se editor registrado na agência do ISBN em 2012 e passou a publicar contos em formato digital...
Lançou em 2012 os primeiros livros impressos, o livro de contos picantes “Três Amores Instantâneos” e o romance de ficção científica “AEcM12“, em outubro.