Resenha: O Conde Enfeitiçado - Julia Quinn

20 setembro 2015

Edição: 1
Editora: Arqueiro
Autor: Julia Quinn
Serie: Os Bridgertons
Titulo Original: When He Was Wicked
ISBN: 8580414407
Ano: 2015
Páginas: 304
Tradutor: Claudia Guimarães

Sinopse:
Toda vida tem um divisor de águas, um momento súbito, empolgante e extraordinário que muda a pessoa para sempre. Para Michael Stirling, esse instante ocorreu na primeira vez em que pôs os olhos em Francesca Bridgerton.Depois de anos colecionando conquistas amorosas sem nunca entregar seu coração, o libertino mais famoso de Londres enfim se apaixonou. Infelizmente, conheceu a mulher de seus sonhos no jantar de ensaio do casamento dela. Em 36 horas, Francesca se tornaria esposa do primo dele.Mas isso foi no passado. Quatro anos depois, Francesca está livre, embora só pense em Michael como amigo e confidente. E ele não ousa falar com ela sobre seus sentimentos – a culpa por amar a viúva de John, praticamente um irmão para ele, não permite.Em um encontro inesperado, porém, Francesca começa a ver Michael de outro modo. Quando ela cai nos braços dele, a paixão e o desejo provam ser mais fortes do que a culpa. Agora o ex-devasso precisa convencê-la de que nenhum homem além dele a fará mais feliz.



Os Bridgertons é uma serie escrita pela autora Júlia Quinn. Cada livro conta a trajetória de um dos oito irmãos. São livros independentes e fora de ordem cronológica, apesar de interligados. Quem quiser ler as resenhas já publicadas aqui no blog de "O Duque e Eu", historia da Daphne, "O Visconde que me Amava", do Anthony, "Um Perfeito Cavalheiro", do Benedict, "Os Segredos de Colin Bridgerton", do Colin e "Para Sir Phillip, com Amor " de Eloise, é só clicar nos títulos.


Resenha:

Um caso extraordinário, um livro da Julia Quinn que eu não gostei muito. Acreditam? Pois é!!
Mas, né, já são seis livros publicados, é meio natural ela errar a mão um pouquinho em um deles! E gente, não foi que eu não gostei totalmente, só achei o livro um pouco mais fraco que os outros, em comparação. O problema se encontra na protagonista, acredito. Francesca não é como os outros Bridgerton. Bem, mas vou explicar melhor ao longo da resenha.

Michael é o primo de John,o Conde de Kilmartin, um rapaz de vinte e poucos anos e o irmão que Michael não teve. Quando John anuncia que vai se casar e marca o seu jantar de noivado a felicidade da família é imensa, inclusive para Michael, que torce pelo primo. Mas, quando Francesca Bridgerton adentra a sala e é apresentada como noiva de John, o inferno começa na vida de seu primo, já que ele cai de amores pela noiva.
"Jamais invejara a boa sorte de John. Jamais invejara o título de John, o dinheiro ou o poder dele.Invejara apenas a sua mulher."
Anos se passam e o casamento prospero de John e Francesca é referencia para as solteiras de Londres. Já Michael, guarda o seu sentimento para si mesmo, e para que ninguém perceber o seu desconforto quando o casal esta próximo ela cria uma espécie de outra personalidade, uma fachada aproveitando-se da fama que tem, de “libertino alegre”. Todas as conversas de Michael são animadas, regadas de muitos sorrisos e gargalhadas, sempre com uma piada ou uma historia inescrupulosa para contar, mas no fundo, ele esconde seu verdadeiro eu, alguém apaixonado e tomado pelo remorso de amar quem não deveria.
Mas, o inusitado acontece. De forma trágica e misteriosa John vem a falecer, deixando Francesca viúva e Michael em uma posição ainda pior.  Como o homem mais velho da família e o próximo na sucessão do condado, já que John não teve filhos, ele é obrigado a assumir a vida do primo, literalmente e em todos os sentidos, ate mesmo se mudar para a casa dele e viver sobre o mesmo teto que Francesca. Tudo que era do primo passa a ser dele, propriedade, dinheiro, título... tudo, menos o que ele sempre desejou e o que prometeu a si mesmo nunca se permitir: Francesca.

Anos se passam e um Conde não pode abandonar suas responsabilidades, por mais que deseje ou que não queira o título, e voltar para Londres é a única opção para Michael. 
Quatro anos se passaram, desde a morte de John e agora Michael esta conformado com a sua posição de Conde de Kilmartin. Mas, o que ele não está pronto para enfrentar é Francesca, que para sua surpresa e desespero, acaba de abandonar o luto e esta empenhada em arrumar um outro marido, para realizar o seu desejo de ser mãe.
Francesca, por sua vez, nunca viu em Michael a figura sexy e desejável, que desperta o interesse de praticamente todas as mulheres, para ela, ele sempre foi seu amigo , e nada além disso. Mas o tempo longe e a saudade, faz com que ela perceba o que sempre este em sua frente, e ver em Michael o amante fervoroso que ele pode e promete ser. 
"Jamais escaparia daquela mulher. E jamais poderia tê-la. Mesmo com John morto. Era errado. Muita coisa havia acontecido e ele jamais seria capaz de se livrar da sensação de tê-la roubado"
Então, como eu falei lá em cima, eu não curti tanto a leitura deste volume da serie, em comparação aos outros. Na verdade, o meu problema, eu acho, foi o fato de já estar acostumada ao padrão Bridgerton de ser, que apesar das peculiaridades individuais de cada um, sempre são animados, decididos e intensos. Mas, Francesca, a nossa protagonista em “O conde Enfeitiçado”, ela nos mostra um outro lado, alguém reservada, tímida, indecisa e até mesmo melancólica. Ok, ela perdeu o marido após poucos anos de casamento e esta saindo do luto, mas nada justifica o impasse que ela se coloca.
Quando Francesca percebe que Michael é um homem desejável e começa a se sentir atraída por ele, o pânico que toma conta dela é bastante compreensível e aceitável, mas ao decorrer da trama, essa relação vai se aprofundando e se desenvolvendo, mas Francesca continua sem saber o que quer, ou como lidar com isso. O pior de tudo é que ela começa a desenvolver uma relação totalmente doentia e bizarra com John, e ao mesmo tempo ela nega e foge dele, veementemente. Isso me lembrou muito os muitos romances atuais publicados, com mocinhas sem personalidade, que vemos aos montes todos os dias, que se envolvem e no outro dia fogem do cara, como o diabo foge da cruz.

O final também foi algo que me deixou extremamente chateada, a autora conseguiu aniquilar com a virilidade, o amor próprio e a auto-estima de Michael, como se a única coisa que ele quisesse fosse ter Francesca, sem importar como, o que é uma contradição com o inicio, já que Michael  se mostra um homem de princípios e decidido inicialmente.

Enfim, “O conde Enfeitiçado” se passa em paralelo com o “Os Segredos de Colin Bridgerton”, então, vamos ter menção deste outro casal, e uma participação de grande importância do nosso queridinho Colin para o desenvolvimento do romance.

Gente, vou frisar novamente que estou fazendo uma comparação com os outros volumes da serie, que ao meu ver, foram mais complexos e bem desenvolvidos do que esse. Mas, isso não torna a historia ruim, pelo contrario, só vamos ver um outro lado da escrita de Júlia Quinn e uma outra faceta, algo mais melancólico e intenso,  e menos engraçado e divertido.

Sobre o autor:

Júlia Quinn começou a trabalhar em seu primeiro romance um mês depois de terminar a faculdade e nunca mais parou de escrever. Seus livros já atingiram a marca de 8 milhões de exemplares vendidos, sendo 3,5 milhões da serie Os Bridgertons.É formada pelas universidades Harvard e Radcliffe. Seus livros já entraram na lista de mais vendidos do The new york times e foram traduzidos para 26 idiomas.Foi a autora mais jovem a entrar para o Romance Writers of Americ's Hall of Fame, a Galeria da Fama dos Escritores Românticos dos Estados Unidos, e atualmente mora com a família no Noroeste Pacifico.