Resenha: Nosferatu - Joe Hill

02 novembro 2014

Editora: Arqueiro
Autor: Joe Hill
ISBN: 9788580412970
Ano: 2014
Páginas: 624
Tradutor: Fernanda Abreu

Sinopse:
Victoria McQueen tem um misterioso dom: por meio de uma ponte no bosque perto de sua casa, ela consegue chegar de bicicleta a qualquer lugar no mundo e encontrar coisas perdidas. Vic mantém segredo sobre essa sua estranha capacidade, pois sabe que ninguém acreditaria. Ela própria não entende muito bem.
Charles Talent Manx também tem um dom especial. Seu Rolls-Royce lhe permite levar crianças para passear por vias ocultas que conduzem a um tenebroso parque de diversões: a Terra do Natal. A viagem pela autoestrada da perversa imaginação de Charlie transforma seus preciosos passageiros, deixando-os tão aterrorizantes quanto seu aparente benfeitor.
E chega então o dia em que Vic sai atrás de encrenca... e acaba encontrando Charlie.
Mas isso faz muito tempo e Vic, a única criança que já conseguiu escapar, agora é uma adulta que tenta desesperadamente esquecer o que passou. Porém, Charlie Manx só vai descansar quando tiver conseguido se vingar. E ele está atrás de algo muito especial para Vic.
Perturbador, fascinante e repleto de reviravoltas carregadas de emoção, a obra-prima fantasmagórica e cruelmente brincalhona de Hill é uma viagem alucinante ao mundo do terror.

Resenha:

Victoria McQueen tinha apenas 8 anos quando ganhou um presente super especial de aniversário do seu pai, uma bicicleta. Só o que ela não poderia imaginar, é que este presente mudaria a sua vida completamente.
Os pais da garota estão em uma crise no casamento, e qualquer coisa é motivo de briga, discussão e até mesmo agressão, e certo dia ao presenciar uma briga violenta entre os pais por causa de um objeto perdido, ela pega a sua bicicleta e sai pedalando pelo bosque imaginando que está em uma missão secreta para encontrar a pulseira perdida de sua mãe. Em meio a este devaneio, Victoria desafia a si mesma a atravessar o Atalho, que nada mais é do que uma ponte sobre o rio que esta interditada e caindo aos pedaços. Ela sempre se sentiu atraída pelo local, mas seus pais sempre a proibiram de se aproximar. Em um ato impensado, Victoria começa a pedalar pelo Atalho de forma frenética, e quando alcança a outra extremidade da ponte algo inusitado acontece, ela se encontra exatamente onde passou o final de semana com os pais, em uma outra cidade, e exatamente o local onde sua mãe perdeu a pulseira. Meio desnorteada com o que aconteceu, a menina volta pra casa e algo ainda mais estranho acontece, subitamente desenvolve febre alta, enjoo e um forte enxaqueca que a deixa de cama.
Mas o acontecido não se torna um caso isolado, diversos objetos perdidos retornam aos seus donos depois de ela passar pela ponte imaginando que precisa encontra-los, e de fato os encontra, mas sempre inventa uma historia alternativa para não pensar no que realmente é capas de fazer.
“Era sempre assim. Ela já tinha atravessado a ponte uma dezena de vezes em cinco anos, cada vez menos uma experiência e mais uma sensação. Não era algo que ela fazia, mas que sentia: a consciência de estar deslizando como em um sonho, a distante sensação de um zumbido de estática.”
Desesperada, Victoria decide que sua próxima busca pela ponte será por alguém que possa lhe ajudar a entender melhor essa sua habilidade. Sendo assim, ela atravessa o Atalho e encontra a peculiar bibliotecária Margareth Leigh, que assim como Victoria, junto com a sua bicicleta podem se deslocar através do atalho, Margereth e seu jogo de palavras podem desvendar mistérios. E é a bibliotecária que avisa “A pirralha” para ficar longe do Espectro e tudo que ele representa.
O Espectro é o carro Rolls-Royce de Charlie Manx, que coincidência ou não, também é capaz de se deslocar no tempo como Victoria, só que usando o seu carro como meio. Mas o destino Charlie não é apenas encontrar objetos perdidos.Com sua imaginação fértil, ele criou um lugar, um universo paralelo chamado Terra do Natal, onde todo dia é natal e ser infeliz é proibido. As regras do local também são criadas por Charlie, mas o que para ele parece um mar de felicidade,  é na verdade um parque de diversões macabro para onde leva crianças que e ele julga merecerem um vida melhor, longe de qualquer tipo de sofrimento e dor causada por adultos.
Quando se entra na Terra do Natal é impossível sair, nenhuma das crianças capturadas por Charlie conseguiram voltar, por mais que tentassem, e aos poucos se tornam seguidoras obedientes,  e tão assustadoras quando o próprio Charlie e sua mente perturbada.

Só que algo da errado quando Charlie tenta capturar Victoria, a única com um poder semelhante ao seu. A Pirralha consegue escapar de Charlie por muito pouco, só que as lembranças do que presenciou  começam atormentar a garota e a cobrar um preço alto, sua sanidade.
 Perder sua vitima deixa Charlie um tanto quanto obcecado por concluir o seu proposito, e é exatamente quando Victoria esta começando a levar uma vida normal, depois de alguns anos e de diversas clinicas psiquiátricas, é que O Espectro e seu dono entram novamente na vida da garota para atormenta-la.
“O menino observava os fundos da casa. Ela agora sabia que ele estava morto, ou pior ainda do que morto. Que ele era uma das crianças do homem chamado Charlie Manx.”
Vou ser apedrejada, eu sei, mas não gosto da escrita do pai e também não gostei da do filho, afinal, não existe diferença.
 Para quem não sabe, Joe Hill é filho de Stephen King, o suposto “mestre do terror”, e é clara a influencia de King na escrita do filho, ele “herdou” o pior do pai, essa escrita arrastada, cansativa e enfadonha. É incrível como tudo é semelhante na escrita dos autores, usam mais da metade do livro apenas para ambiental o leitor, com descrições excessivas, divagações sem sentido algum e que não acrescentam em nada à trama, pelo contrario tiram a vontade do leitor de saber o final, por mais instigante que a premissa seja. Fato esta que me levou a abandonar livros do King e agora, de seu filho.
Ok, vamos combinar, Sthepen King é um ícone entre a maioria dos escritores do gênero e a inspiração de vários deles, é claro que ele influenciou o filho, seja de forma direta ou indireta, não sabemos, mas é extremamente irritante a sensação que você tem de que o livro é do King e não do Hill.
Enfim, o livro se vende pela sinopse que promete mistério e terror macabro,que deixemos claro, não existe. Mas também não podemos negar de que Hill é extremamente criativo, e a trama tem algumas reviravoltas bem interessantes, apesar de o desenrolar ser bastante previsível.
Um ponto positivo e que me levou a seguir com a leitura foi a personalidade de Charlie, ele é tipo de psicopata louco que vive no limiar entre a inocência e a maldade, e é extremamente interessante ver como ele lida com diversas situações durante a trama.
Como eu falei lá em cima, a trama se desenvolve de forma arrastada, o autor demora demais para objetivar os fatos, e em bem mais da metade do livro você tem vontade de abandonar a leitura, pois tudo é só mais do mesmo, mas quando o enredo chega ao seu ápice, é bem interessante e bastante assustador, as crianças de Terra do Natal são totalmente aterrorizantes.
Um dica, e que eu mesma poderia ter colocado em pratica para ler esta obra, é intercalar com outros títulos, afinal, são 600 paginas, mas o que realmente faz a leitura valer apena é as ultimas 200.

Para quem ainda não se convenceu que o King é de grande influencia na obra, vale ressaltar que existe menção aos livros dele em vários capítulos. Pois é!

Mas vamos falar um pouquinho sobre o trabalho da editora, que esta LINDO!! Uma coisa que não contei para vocês é que este livro é todo ilustrado, é uma diagramação linda, uma revisão impecável e uma capa que condiz totalmente com a trama.

Pois então, pessoal, quem gosta do gênero, super indico, e para quem gosta do Sthepen King e que esta querendo comer meu figado de colherinha, também super indico.
“Igual a um livro, um romance que chegara ao fim, uma história que tanto o leitor quanto o escritor estavam prontos para deixar de lado.”

Sobre o autor:


 Joseph Hillstrom King, mais conhecido como Joe Hill é um escritor estadunidense de livros do gênero de ficção. É filho do também escritor Stephen King. Seu nome foi escolhido como uma forma de homenagem ao anarquista sueco Joe Hill. Em 2007, lançou um livro de terror, intitulado no Brasil de A Estrada da Noite. É também de sua autoria a coletânea de contos Fantasmas do Século XX, publicada no Brasil em 2009