Resenha: O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde.

06 março 2014

Autor: Oscar Wilde
Titulo original : The picture of Dorian Gray
Editora: Landmark
ISBN: 9788580700183
Ano: 2012
Páginas: 224
tradutor: Marcella Furtado.

Sinopse:
Dorian Gray é um belo e ingênuo rapaz retratado pelo artista Basil Hallward em uma pintura. Mais do que um mero modelo, Dorian Gray torna-se inspiração a Basil em diversas outras obras. Devido ao fato de todo seu íntimo estar exposto em sua obra prima, Basil não divulga a pintura e decide presentear Dorian Gray com o quadro. Com a convivência junto a Lorde Henry Wotton, um cínico e hedonista aristocrata muito amigo de Basil, Dorian Gray é seduzido ao mundo da beleza e dos prazeres imediatos e irresponsáveis, espírito que foi intensificado após, finalmente, conferir seu retrato pronto e apaixonar-se por si mesmo. A partir de então, o aprendiz Dorian Gray supera seu mestre e cada vez mais se entrega à superficialidade e ao egoísmo. O belo rapaz, ao contrário da natureza humana, misteriosamente preserva seus sinais físicos de juventude enquanto os demais envelhecem e sofrem com as marcas da idade. 
Resenha:

Bem, antes de tudo, eu gostaria de contar como esse livro chegou a minha estante. Fui a livraria cultura, e quando bati os olhos nesta capa, com o Ben Barnes, eu precisava deste livro. Vocês nem podem imaginar o porque, né? Bem, como uma boa fã de VA, ele era o meu Dimitri, então obviamente comprei o livro imediatamente. E assim ele foi para na minha estante, o livro mais caro que eu já comprei até hoje. Ninguém ri da minha cara, ok!? -.-
Mas vamos falar do livro, corro um certo risco de ser chamada de "não culta" depois desta resenha, mas como sempre, vou ser sincera. Eu não gostei da historia, achei a narrativa enfadonha e arrastada, com diálogos longos e repletos de divagações, tanto que fui obrigada em algumas partes a apelar para a leitura dinâmica, pulando o que não acrescentava em nada para o entendimento da trama. Chocados? Pois é, consigo até ouvir a voz mental de vocês me criticando. Mas por favor, eu tenho um grave problema com clássicos, eu não sou adepta a livros com linguagem rebuscada, que necessita de um dicionario ao lado para ajudar na leitura. Isso é chato e estressante, nada que uma leitura deveria ser, já que lemos para relaxar e viajar para um outro lugar. Mas sim, eu sei que o livro foi escrito originalmente em 1890, e a linguagem condiz com a época, mas nem por isso deixa de ser chato. Mas vamos falar do enredo em si, que possui uma premissa fantástica.
Dorian Gray é um rapaz de vinte e poucos anos, com uma beleza invejável. Certo dia ele conhece o pintor Basil, que fica encantado com sua beleza e personalidade. Logo Dorian se torna a inspiração de Basil para pintar, posando como modelo. Ao retratar Dorian em uma de suas telas, Basil deixa o jovem fascinado com a própria imagem, mas consternado com o fato de que o quadro continuaria a ostentar a sua beleza e jovialidade, mesmo quando ela não mais existisse. Em um momento de fúria Dorian deseja que o contrario ocorra.
Dorian também começa uma amizade com Harry o melhor amigo de Basil. É Harry quem apresenta o mundo da luxuria e da vaidade a Dorian, que até então, não tinha ciência de sua própria aparência e o efeito que ela causava nas pessoas.


Sob a influencia de Harry, Dorian logo se torna uma pessoa totalmente diferente, mas o que realmente assusta o rapaz, é o fato de que as mudanças físicas que esse novo estilo de vida deveria infligir em seu corpo estão sendo notadas em seu quadro pintado por Basil, e não em si mesmo. Inicialmente isso assusta o jovem Dorian, mas logo o que ele deveria temer se torna o seu maior segredo, o deixando ainda mais perverso e totalmente consumido pela luxuria e vaidade.
Este livro realmente possui um enredo e uma premissa maravilhosa, mas os diálogos são repletos de divagações e teorias que não acrescentam em nada para o leitor, apenas deixa tudo cansativo e enfadonho, principalmente quando envolve o personagem Harry, que é odioso, não só por este fato, mas sim por sua personalidade detestável.
O meu livro é a edição bilingue, possui 240 paginas, mas só 123 são em Português. Se eu pudesse, reduziria esse numero pelo metade, e ai sim, o livro entraria para os meus favoritos.
O livro questiona abertamente a natureza humana, sobre o que é realmente importante em nossas vidas e o que é apenas vaidade. Mas principalmente mostra aos extremos que o ser humano pode chegar em busca da beleza estereotipada.
Oscar Wilde não possui uma escrita leve, isso é verdade, mas o desenvolvimento da trama é feito com maestria, todos os fatos são ligados de forma fantástica, e a personalidade de cada personagem é diferenciada e forte. Mas o mais incrível de tudo é o próprio Dorian, um personagem complexo, que ao longo da trama se vê consumido pela culpa, mas nem isso é capaz de aplacar a sua vaidade. E ele vai aos extremos por isso, mesmo em conflito com si próprio sobre o que é certo e errado.
Enfim, esse é um ótimo livro, mas leia por partes, intercale capítulos, não tente devora-lo, pois vai acabar desistindo da leitura como quase eu fiz.
Sobre o trabalho da editora, eu estou completamente fascinada, nunca tinha lido um livro da Landmark, e só tenho elogios, a capa desta edição é fantástica, é dura e envernizada, com paginas amareladas e uma fonte linda.

Como eu falei lá em cima, o livro tem o Ben Barnes na capa, que é o ator que deu vida a Dorian Gray na adaptação do livro para o cinema em 2009! Segue abaixo o trailer.


Sobre o autor:




Nasceu em 16 de outubro de 1854 em Dublin, Irlanda. Filho de William Robert Wilde, cirurgião-oculista que servia à rainha. Sua mãe, Jane Speranza Francesca Wilde, escrevia versos irlandeses patrióticos com o pseudônimo de Speranza.
Foi educado no Trinity College, Dublin e mais tarde em Oxford. Lá ele recebe a influência de Walter Pater e da doutrina da "arte pela arte". Em 1879, vai para Londres, para estabelecer-se como líder do "movimento estético". Em 1881 é publicada uma coletânea de seus poemas. Em 1882, sem dinheiro, aceita participar de um ano de viagens entre USA e Canadá. Essa viagem lhe rendeu fama e fortuna.
Em 1884, casa-se com a bela Constance Lloyd. Com a publicação de "Retrato de Dorian Gray", sua carreira literária deslancha.