Resenha: Garota, Interrompida

26 setembro 2013


Autora: Susanna Kaysen
Editora: Única (Selo Editora Gente)
ISBN: 9788573128628
Páginas: 189
Tradução: Márcia Serra


Livro cedido em parceria com a Editora Única
Sinopse:
Quando a realidade torna-se brutal demais para uma garota de 18 anos, ela é hospitalizada. O ano é 1967 e a realidade é brutal para muitas pessoas. Mesmo assim poucas são consideradas loucas e trancadas por se recusarem a seguir padrões e encarar a realidade. Susanna Keysen era uma delas. Sua lucidez e percepção do mundo à sua volta era logo que seus pais, amigos e professores não entendiam. E sua vida transformou-se ao colocar os pés pela primeira vez no hospital psiquiátrico McLean, onde, nos dois anos seguintes, Susanna precisou encontrar um novo foco, uma nova interpretação de mundo, um contato com ela mesma. Corpo e mente, em processo de busca, trancada com outras garotas de sua idade. Garotas marcadas pela sociedade, excluídas, consideradas insanas, doentes e descartadas logo no início da vida adulta. Polly, Georgina, Daisy e Lisa. Estão todas ali. O que é sanidade? Garotas interrompidas.


Resenha:

Em Garota, Interrompida, Susanna Kaysen conta como foi sua convivência e estadia em um hospital psiquiátrico. Susanna foi internada por livre e espontânea vontade depois de ingerir 50 aspirinas. A idade dela é 18 anos, o ano 1967. Já no hospital, Susanna conhece outras garotas de sua idade, que também estão internadas, cada uma diferente da outra, mas todas foram interrompidas em suas vidas. Lisa era uma sociopata, Cynthia era depressiva; Polly e Georgina eram esquizofrênicas e Susanna foi diagnosticada com transtorno de personalidade. Essas são as personagens que são mais destacadas no livro, outras garotas tbm são mencionadas, mas por pouco tempo.


"... Víamos muitas coisas.
Víamos Cynthia voltar em prantos do eletrochoque, uma vez por semana. Víamos Polly tremendo de frio, enrolada em lençóis umedecidos com água gelada.Entretanto, uma das piores coisas que vimos foi Lisa saindo da solitária, dois dias depois."
Confesso que este livro me deixou um pouco depressiva. O relato de Susanna é tão intenso que nos fazem refletir. O que não me fez cair em depressão de vez, foi o enredo engraçado que a autora traz junto com a trama. Em alguns momentos eu tive que parar de ler para rir. São situações hilárias, que hoje, vemos graça, mas na década de 60, não era tão engraçado assim.


"Entretanto, eu não estava simplesmente pirando, despencando pelo poço rumo ao "País da Maravilhas". Meu infortúnio - ou minha salvação - era ter perfeita consciência das minhas interpretações equivocadas da realidade. Nunca "acreditei" nas coisas que via ou pensava ver. Mais do que isso, compreendia corretamente cada uma dessas estranhas atitudes."
Susanna é muito inteligente. Fiquei espantada com seus pensamentos e explicações. Cheguei a pensar que  louco, foi o médico que a internou, pois louca ela não é!
O livro começa com Susanna em uma consulta com seu médico, e a partir daí, vamos seguindo sua rotina até chegar ao hospital. Susanna tem que saber quanto tempo gasta para tudo, ela não perde nada, soma seus minutos e chega a suas conclusões, isso acontece porque Susanna tem relapso de tempo, quando ela menos espera, já se passaram horas, e ela nem percebeu. São duas histórias sendo narradas. Susanna no hospital e Susanna depois de sair de lá. Em cada capítulo, podemos diferenciar o que esta acontecendo, e achei isso maravilhoso.


Susanna também fala sobre seus médicos, enfermeiras e sobre o hospital. É incrível saber destas coisas. Acho que nunca li nada parecido. Ao mesmo tempo que o hospital é um casulo que protege essas meninas, ele também é a prisão que as impede de continuar no mundo. Todas as vezes que elas saíram do hospital acompanhadas das enfermeiras, fiquei com pena... Não por elas! Mas pelas pessoas que pensavam "Lá vem as loucas".


Gostei muito da capa do livro (apesar de esse rosa me deixar vesga). Na parte rosa ha letras em verniz, acho que são partes do livro, tentei ler, mas não consegui. Tirei esta foto pra vcs verem do que estou falando. A narrativa é em primeira pessoa, então sabemos e sentimos os anseios e incertezas de Susanna. A diagramação é simples mas perfeita, sem erros aparentes. Encontramos também, alguns prontuários de Susanna.  As letras são de tamanho normal, com um bom espaçamento entre si. As páginas são amarelas e tudo isso me proporcionou uma leitura maravilhosa.


Afinal, o que é a loucura? O que é transtorno de personalidade? Uma pessoa pode se curar? Pode ter uma vida normal?
Responda estas e outras perguntas, junto com Susanna em Garotas, Interrompidas.
"Se eu, que antes era repulsiva, agora estou assim tão longe  minha loucura, quão longe não estarão vocês, que nunca foram repulsivos, e que profundezas não terá alcançado a sua repulsa?

Avaliação:


Sobre a autora:


Susanna Kaysen foi nascida e criada em Cambridge, Massachusetts . Ela é filha do economista Carl Kaysen , professor do MIT e ex-assessor do presidente John F. Kennedy , e sua esposa Annette Neutra Kaysen. Kaysen tem uma irmã e é divorciada.
Kaysen cursou o ensino médio na Escola Commonwealth , em Boston, e da Escola de Cambridge, antes de ser enviado ao Hospital McLean , em 1967, para submeter-se a tratamento psiquiátrico para depressão. Foi lá que ela foi diagnosticada com transtorno de personalidade. Ela foi libertada após 18 meses. Mais tarde, ela chamou esta experiência para seu livro de memórias 1993 Garota, Interrompida , que foi adaptado para o cinema em 1999.


Confira o trailer do filme: