1# Resenha do Leitor - Amanda Oliveira.

01 agosto 2013

Branca como leite, vermelha como sangue

Autor: Alessandro D'Avenia
Editora: Bertrand Brasil
ISBN: 9788528615050
Ano: 2011
Páginas: 368

Sinopse:
Leo é um garoto de dezesseis anos como tantos: adora o papo com os amigos, o futebol, as corridas de motoneta, e vive em perfeita simbiose com seu iPod. As horas passadas na escola são uma tortura, e os professores, “uma espécie protegida que você espera ver definitivamente extinta”. Apesar de toda a rebeldia, ele tem um sonho que se chama Beatriz. E, quando descobre que ela está terrivelmente doente, Leo deverá escavar profundamente dentro de si, sangrar e renascer para a vida adulta que o espera. Um traço interessante na narrativa de D’Avenia é a técnica de utilizar cores para descrever os sentimentos e as sensações do menino Leo; por exemplo, o branco, sinônimo de solidão e silêncio: “O silêncio é branco. Na verdade, o branco é uma cor que não suporto: não tem limites. (...) Ou melhor, o branco não é sequer uma cor. Não é nada, é como o silêncio.” (p. 10) O leitor perceberá a transformação de um garoto com todas as características da juventude – rebelde, egoísta, egocêntrico – numa pessoa madura e responsável. Essa mudança começa a ser percebida quando Leo deixa de jogar o jogo decisivo do campeonato de futebol para cuidar de sua amiga doente. A convivência despertará nele o sentimento de cumplicidade e do verdadeiro amor, promoverá o debate do que é realmente o sonho e mostrará que, no crescimento emocional, é importante a presença de um orientador, um mentor.Branca como o leite, vermelha como o sangue não é apenas um romance de formação ou uma narrativa de um ano de escola: é um texto corajoso que, por meio do monólogo de Leo – ora descontraído e divertido, ora mais íntimo e atormentado –, conta o que acontece no momento em que, na vida de um adolescente, irrompem o sofrimento e o pesar, e o mundo dos adultos parece não ter nada a dizer.


Resenha:

Leo tem uma paixão platônica por Beatriz, a garota que nunca deu bola para ele. Até que um dia ela não vai à escola e com o tempo vai ficando mais ausente. Com a ajuda de sua amiga, Silvia, Leo descobre que Beatriz tem leucemia. Desesperado, ele irá fazer de tudo para não deixar que a doença acabe com sua amada.
O livro tem uma narrativa cativante. Os pesamentos filosóficos de Leo sobre tudo que acontece ao seu redor é fantástico. Alessandro D'avenia soube construir ótimos personagens e um livro que tinha tudo para ser clichê se tornou o meu preferido só pelo modo de escrita do autor. Há quem reclame de que o livro não tem muitos diálogos por ser narrado em primeira pessoa, mas eu achei que essa foi a magia do livro, pois você ficava na expectativa e o Leo não é um personagem chato, então seus pensamentos acabam se tornando melhor que os diálogos. E por ter capítulos pequenos, a leitura flui que você nem vê.
E no meio de todo o drama vivido por Leo para tentar salvar Beatriz, há também sua amiga Silvia que sustenta a paixão do Leo por outra sendo que ela gosta muito dele, mas ainda não teve coragem suficiente para lhe contar. Ela se tornou a minha personagem favorita, depois do Sonhador.
No meio das metáforas, a mais citada por Leo é sobre o apelido que deu ao professor substituto: Sonhador. Ele que chega na classe despertando o interesse dos alunos à filosofia é visto por Leo como um professor fodido por ter que substituir outra pessoa, acaba ganhando o apelido de Sonhador por gostar do trabalho de substituto e por sempre estar feliz. Mas é quem mais ajuda Leo com suas decisões sobre o que fazer na vida quando sua amada está sendo levada aos poucos.
Outra metáfora usada por Leo, é sobre a doença de Beatriz. Leucemia (do grego leukos λευκός, "branco"; aima αίμα, "sangue"), que transforma o sangue vermelho em branco. Ele diz que o branco é o vazio, o vilão que está tomando o vermelho de Beatriz.
Muitos quando lê a sinopse já dizem que o livro é um "A Culpa é das Estrelas". Li esse livro antes mesmo do livro do John Green ser lançado aqui no Brasil e posso garantir que não tem nada haver um com o outro. Não que eu esteja falando mal de A Culpa é das Estrelas, ao contrário, o livro é ótimo, mas não se compara ao Branca como leite, vermelha como sangue.
Há uma adaptação cinematográfica já pronta, mas não sei se será lançada aqui no Brasil. O filme, assim como o livro, é francês e por não ser muito conhecido, acho difícil dublarem esse filme para o português, mas eu espero o tempo que for.

É um livro que eu recomendo à todos. Fiz a maioria dos meus amigos lerem e todos adoraram! Leio e releio a estória toda vez que pego no livro. Sem contar que a capa é maravilhosa, né?

Lembrando que essa resenha não faz parte do top comentarista, comente apenas de gostar do conteudo, pois é parte do concurso "Resenha do leitor", onde a mais comentada vai ganhar um livro!